Duas cidades do norte catarinense passaram a chamar a atenção de pesquisadores após a identificação de concentrações expressivas de terras raras, minerais considerados essenciais para a indústria de alta tecnologia. Resultados preliminares de um levantamento geológico apontam que Joinville e Garuva possuem potencial para abrigar um dos recursos mais disputados atualmente no mercado global.
As descobertas fazem parte de um amplo programa de investigação mineral desenvolvido pelo Serviço Geológico do Brasil, que avalia áreas localizadas ao longo do chamado Cinturão Ribeira, estrutura geológica que se estende por estados da Região Sul e Sudeste do país.
Terras raras despertam interesse por uso em tecnologias modernas
Os dados iniciais revelaram níveis superiores a 8 mil partes por milhão de elementos classificados como terras raras totais. Para especialistas da área, esse índice representa um sinal importante de enriquecimento mineral e justifica o aprofundamento das pesquisas.
Esses elementos químicos são considerados fundamentais para diversos segmentos industriais. Estão presentes na produção de baterias recarregáveis, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, turbinas utilizadas na geração de energia renovável e até em tecnologias voltadas para a defesa.
Embora sejam encontrados em diferentes regiões do planeta, os minerais desse grupo costumam estar associados a outras formações geológicas, exigindo processos complexos para sua separação e aproveitamento econômico.
Levantamento seguirá até 2027 em três estados brasileiros
A investigação ainda está longe da fase de exploração mineral. Neste momento, os trabalhos concentram-se na coleta de amostras de solo e rocha, além da análise detalhada de informações geoquímicas e geofísicas já disponíveis.
O projeto contempla áreas distribuídas entre Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Além de Joinville e Garuva, os estudos abrangem municípios paranaenses como Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul. Em território paulista, as avaliações alcançam localidades como Itupeva, Alumínio, Capão Bonito, Juquiá, Cajati e Cananéia.
A expectativa é que o programa avance até 2027, período em que novas etapas de análise poderão indicar com maior precisão o potencial econômico das áreas pesquisadas e sua relevância para o futuro da cadeia mineral brasileira.


