As negociações para uma parceria voltada à exploração e ao processamento de terras raras na Bahia perderam ritmo nas últimas semanas. De acordo com informações publicadas pelo jornal Valor, o projeto envolvendo a empresa norte-americana Tronox e o governo baiano foi desacelerado diante do atual cenário de incertezas nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
A iniciativa vinha sendo discutida com a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) e poderia representar um novo investimento no setor de minerais estratégicos no estado.
Terras raras eram foco de parceria com a CBPM
As tratativas entre a Tronox e a CBPM tiveram início em março e incluíram a possibilidade de formalização de um memorando de entendimento não vinculante. No entanto, o documento não chegou a ser assinado.
O projeto previa a criação de uma sociedade para viabilizar a transferência de tecnologia destinada à extração e ao processamento de terras raras na Bahia. A CBPM possui atualmente mais de 60 áreas com ocorrência desses minerais, considerados essenciais para diversas indústrias de alta tecnologia e para a transição energética.
A estratégia também faz parte dos planos da Tronox de ampliar sua atuação além da produção de dióxido de titânio, segmento em que a empresa ocupa posição de destaque no mercado global.
Empresa aguarda definições sobre mercado de dióxido de titânio
Enquanto as negociações permanecem em compasso de espera, a Tronox acompanha outro processo considerado importante para suas operações no Brasil. A empresa aguarda uma decisão do Departamento de Defesa Comercial (Decom) sobre a manutenção das medidas antidumping aplicadas às importações chinesas de dióxido de titânio.
Segundo a publicação, uma eventual mudança nessas medidas pode impactar a competitividade da companhia em seu principal negócio no país. Esse cenário também é apontado como um dos fatores que podem influenciar o ritmo de novos investimentos, incluindo os projetos relacionados às terras raras.
Com sede nos Estados Unidos e listada na Bolsa de Nova York, a Tronox atua em diversos países e mantém operações brasileiras em Mataraca, na Paraíba, e em Camaçari, na Bahia. No ano passado, a empresa recebeu cartas de apoio para financiamentos de até R$ 3 bilhões de agências de crédito à exportação dos Estados Unidos e da Austrália, voltados ao fortalecimento da cadeia de fornecimento e processamento de terras raras.


