A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) determinou a suspensão de parte das operações da Sigma Lithium, maior produtora de lítio do Brasil. A medida afeta duas áreas de extração responsáveis pelo abastecimento da unidade de processamento da empresa, localizada entre os municípios de Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha.
A decisão foi tomada após fiscalizações realizadas pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), que identificaram uma série de supostas irregularidades ambientais durante as atividades da mineradora. A empresa foi notificada oficialmente em 13 de julho, data em que a suspensão passou a produzir efeitos.
Sigma Lithium contesta decisão e negocia retomada das operações
De acordo com a Feam, os autos de infração apontam problemas como intervenções em cursos d’água localizados em áreas de preservação, desmatamento considerado irregular, utilização de água subterrânea e o início de atividades de mineração antes das etapas autorizadas nas licenças ambientais.
A suspensão atinge as operações das cavas Norte e Sul, atualmente as únicas frentes de lavra em funcionamento no complexo Grota do Cirilo. Conforme o governo mineiro, o embargo seguirá em vigor até que as exigências ambientais sejam atendidas ou seja firmado um acordo entre a empresa e o Estado.
Em comunicado ao mercado, a Sigma Lithium afirmou que a medida possui caráter “parcial e temporário” e informou que mantém negociações com o governo de Minas Gerais para regularizar a situação e retomar as atividades.
A empresa também informou que fará o pagamento de multas que somam aproximadamente US$ 540 mil, valor equivalente a cerca de R$ 3 milhões. Segundo a mineradora, parte das autuações está relacionada a fatos ocorridos entre 2013 e 2022. A companhia ainda nega ter fornecido informações falsas aos órgãos ambientais ou comercializado lítio antes de maio de 2023.
Vale do Lítio concentra investimentos e amplia debate ambiental
A Sigma Lithium iniciou sua produção comercial no Vale do Jequitinhonha em 2023 e se consolidou como a maior produtora nacional de lítio em volume extraído. O mineral é considerado estratégico por ser um dos principais componentes utilizados na fabricação de baterias para veículos elétricos, celulares, notebooks e outros equipamentos eletrônicos.
O crescimento da demanda mundial impulsionou novos investimentos na região, que abriga a maior reserva conhecida de lítio do Brasil e integra o projeto estadual conhecido como Vale do Lítio.
Ao mesmo tempo, o avanço da mineração no Vale do Jequitinhonha tem sido acompanhado por discussões envolvendo os impactos ambientais e sociais da atividade. Comunidades locais e pesquisadores manifestam preocupação com possíveis reflexos sobre os recursos hídricos e sobre populações tradicionais que vivem na região.


