Um novo estudo divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) destaca a descoberta de concentrações elevadas de minerais estratégicos, como fosfato, urânio e terras raras, na bordas oriental da Bacia Sedimentar do Parnaíba, localizada no leste do Piauí. A pesquisa, intitulada “Informe Técnico Ocorrências de Fosforitos Sedimentares na Formação Longá, Grupo Canindé, Borda Oriental da Bacia do Parnaíba”, foi realizada pelos pesquisadores Paulo Roberto Benevides Filho, Elem Cristina dos Santos Lopes e Carolina Reis, e já está disponível no Repositório Institucional de Geociências (RiGeo).
Descobertas reveladoras de terras raras com alto potencial econômico
De acordo com os resultados do estudo, a Formação Longá revelou um intervalo fosfatado com altas concentrações de fosfato, urânio e terras raras. Esses valores são comparáveis, e até superiores, aos encontrados em depósitos sedimentares de outros países ao redor do mundo. A pesquisa sugere que essas concentrações podem ser repetidas em subsuperfície, indicando um enorme potencial mineral na região.
A espessura das rochas sedimentares da Formação Longá, que pode chegar até 200 metros, junto com os elevados índices de P2O5 (até 26,02%), urânio (até 1268 ppm) e elementos das terras raras, como disprósio (até 259 ppm), érbio (281 ppm), itérbio (392 ppm) e ítrio (até 2188 ppm), abre novas perspectivas para a mineração na região. Tais níveis elevados são indicadores de um potencial econômico significativo, podendo viabilizar a exploração comercial desses minerais.
Um olhar para o futuro com implicações econômicas e geológicas
Segundo a pesquisadora Carolina Reis, o estudo apresenta dados inéditos sobre as ocorrências de fosforitos na região, destacando a associação com urânio e terras raras. Ela destaca que a publicação traz uma interpretação detalhada sobre a origem desses depósitos e a viabilidade econômica de sua exploração. “Esses estudos contribuem para a ampliação do conhecimento sobre os recursos minerais da Bacia do Parnaíba, que possuem grande importância estratégica para o Brasil”, afirmou Reis.
As análises químicas que sustentam as conclusões do estudo foram realizadas tanto em campo, por meio de um gamaespectrômetro portátil, quanto em laboratório, utilizando técnicas como Fluorescência de Raio X (FRX), ICP (Inductively Coupled Plasma) e Microssonda Eletrônica de Varredura (MEV).


