A Mina da Jangada, em Brumadinho, voltou ao centro das discussões sobre licenciamento ambiental em Minas Gerais após denúncias apresentadas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) relacionarem o empreendimento a possíveis irregularidades investigadas pela Operação Rejeito, da Polícia Federal.
Documentos apresentados por moradores e entidades ambientais durante audiência pública realizada nesta semana apontam supostas inconsistências em processos que permitiram a retomada das operações da mina e levantam questionamentos sobre a transferência do empreendimento para a Itaminas, empresa que teve entre seus sócios o banqueiro Daniel Vorcaro.
As denúncias envolvem alterações em documentos, incorporação de processos administrativos e a emissão considerada célere de pareceres que possibilitaram a continuidade das atividades da mina após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, tragédia que deixou 272 mortos em 2019.
Antes do desastre de Brumadinho, as minas da Jangada e Córrego do Feijão possuíam licenciamento ambiental conjunto aprovado em 2018. Após o rompimento da barragem, as autorizações foram suspensas.
Segundo os denunciantes, posteriormente foi autorizado o desmembramento dos empreendimentos, permitindo que a Mina da Jangada seguisse operando de forma independente. O procedimento é um dos principais pontos questionados por moradores e organizações ambientais.
Ligação com a Operação Rejeito
Os questionamentos ganharam força após a deflagração da Operação Rejeito, investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes em licenciamentos ambientais em Minas Gerais.
Durante a audiência pública, participantes destacaram que parte dos atos administrativos relacionados ao empreendimento ocorreu durante a gestão de agentes públicos que posteriormente se tornaram alvos da operação.
A entrada de Daniel Vorcaro na Itaminas, em 2025, também passou a ser citada por parlamentares e ambientalistas como um elemento que merece apuração, especialmente pela proximidade temporal com os fatos investigados pela Polícia Federal.
Pressão sobre o governo estadual
Embora não haja, até o momento, acusações formais contra o governador Romeu Zema (Novo), o caso amplia a pressão política sobre a gestão estadual em razão da atuação de órgãos ambientais responsáveis pelos processos de licenciamento.
Representantes do governo afirmam que a transferência da titularidade da mina e os procedimentos de revalidação ambiental seguiram os trâmites previstos na legislação vigente. Enquanto isso, moradores da região defendem a suspensão das atividades da Mina da Jangada até que todas as dúvidas sobre a legalidade dos atos administrativos sejam esclarecidas.
O caso continua sendo acompanhado por parlamentares, entidades ambientais e órgãos de fiscalização, que cobram transparência sobre as decisões que permitiram a retomada das operações do empreendimento em Brumadinho.


