O Ministério Público Federal (MPF) está pressionando pela suspensão e revisão das autorizações de pesquisa e concessão de lavra de lítio em Araçuaí (MG) e municípios vizinhos no Vale do Jequitinhonha, uma região estratégica para a mineração de lítio em Minas Gerais. A recomendação foi enviada à Agência Nacional de Mineração (ANM) e foca, principalmente, em dois grandes projetos: a mina Grota do Cirilo, da Sigma Lithium, e o projeto Neves, da Atlas Lithium.
MPF levanta preocupações ambientais e sociais sobre e exploração do lítio
A intervenção do MPF se dá em razão de questões ambientais e sociais que envolvem os projetos de mineração na região. De acordo com o Ministério, há a necessidade de uma avaliação mais rigorosa sobre os impactos desses empreendimentos, especialmente no que tange à preservação ambiental e ao respeito aos direitos das comunidades locais. A mina Grota do Cirilo e o projeto Neves são ambos considerados vitais para a produção de lítio, mineral essencial para baterias de carros elétricos, mas enfrentam crescente oposição devido a alegações sobre riscos ambientais e possíveis impactos sobre a população.
Com a crescente demanda global por lítio, devido à sua importância na transição energética, especialmente na produção de baterias para veículos elétricos, a mineração desse mineral tem se intensificado em diversas partes do mundo. No entanto, a pressão sobre regiões como o Vale do Jequitinhonha, que abriga uma rica biodiversidade e comunidades tradicionais, gerou um debate sobre os limites da exploração mineral frente à necessidade de proteção ambiental e social.
A recomendação do MPF coloca em dúvida a continuidade desses projetos sem uma revisão mais profunda dos processos de licenciamento e da garantia de que todas as normas ambientais sejam devidamente cumpridas. A ANM terá que avaliar as recomendações do MPF, o que pode resultar em alterações nas autorizações de lavra e pesquisa ou na suspensão das atividades de mineração, até que as questões levantadas sejam esclarecidas.


