O Projeto Walls, uma grande operação de mineração de minério de ferro que está em fase de licenciamento nos municípios de Ouro Preto e Mariana, está gerando preocupações tanto no campo ambiental quanto no patrimônio cultural. A proposta de exploração coloca em risco a preservação de um valioso complexo arqueológico, composto por dez sítios que remontam aos primórdios da colonização e ao ciclo do ouro no Brasil.
Além disso, a mineração pode afetar a segurança hídrica de moradores do Bairro Alvorada, em Mariana, colocando em risco o abastecimento de água da região.
Projeto de mineração pode trazer riscos para o patrimônio histórico e cultural
O Relatório de Impacto no Patrimônio Cultural (RIPC), parte dos estudos exigidos para o licenciamento do projeto, revelou que a Área Diretamente Afetada (ADA) pela mineração está localizada em uma região de alta concentração de vestígios históricos. Alguns desses sítios arqueológicos estão a poucos metros das operações de lavra planejadas pela mineradora.
Um dos sítios está, inclusive, dentro dos limites da área de exploração da mineradora, conforme admitido pela própria empresa. Esse cenário levanta alarmes sobre a possível destruição de importantes vestígios históricos que são fundamentais para a compreensão da história do Brasil colonial e do ciclo do ouro.
Impactos ambientais e preocupações com a água
O projeto de mineração também afeta diretamente áreas de preservação ambiental, como a Zona de Amortecimento do Parque Municipal das Andorinhas, localizada em Ouro Preto. Na porção de Mariana, os moradores do Bairro Alvorada expressam preocupações sobre a segurança do abastecimento de água, já que a região fica a poucos metros do local onde a mineração está prevista para ocorrer.
A possibilidade de contaminação ou redução na disponibilidade de água potável ameaça a qualidade de vida de uma comunidade que depende dessa fonte para suas necessidades diárias.
A combinação dos impactos sobre o patrimônio histórico e o risco para o abastecimento de água tem gerado forte resistência entre os moradores das duas cidades e ambientalistas. A comunidade local e organizações de defesa do patrimônio cultural estão pressionando para que o projeto passe por uma revisão cuidadosa e que todas as alternativas possíveis sejam consideradas, a fim de minimizar os danos tanto para o meio ambiente quanto para a preservação da história de Minas Gerais.


