A retomada das operações na Mina de Jangada, integrada ao complexo Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, será discutida em audiência pública marcada para esta terça-feira (26). O encontro acontecerá na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e deve reunir autoridades, representantes das mineradoras e moradores da região.
A discussão foi solicitada pela deputada estadual Bella Gonçalves (PT) e tem como foco os possíveis impactos ambientais e os riscos envolvendo a expansão das atividades minerárias conduzidas pela Vale e pela Itaminas.
Moradores cobram segurança e estudos sobre a água em Brumadinho
Entre as principais preocupações levantadas pela população estão possíveis danos ao lençol freático utilizado no abastecimento das residências e a segurança das estruturas minerárias da região. O temor ganhou ainda mais força devido à lembrança do rompimento da barragem em 2019, tragédia que deixou mais de 270 mortos em Brumadinho.
Os moradores defendem a realização de estudos hidrogeológicos independentes para avaliar a qualidade da água e também cobram esclarecimentos relacionados ao processo de licenciamento ambiental das operações.
Devem participar da audiência representantes do Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Agência Nacional de Mineração (ANM), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), além das prefeituras de Brumadinho e Sarzedo.
Itaminas teve ligação com Daniel Vorcaro até 2025
A Itaminas Comércio de Minérios esteve ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro até novembro de 2025. O empresário havia adquirido participação na mineradora em 2024, ao lado dos sócios Rodrigo Gontijo e Argeu Geo.
Meses depois, Vorcaro deixou a sociedade ao vender sua parte por cerca de R$ 700 milhões. A saída ocorreu em meio ao surgimento de denúncias envolvendo o Banco Master, instituição associada a uma suposta fraude bilionária relacionada ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com valores que ultrapassariam R$ 50 bilhões.
A audiência pública pretende ampliar o debate sobre os impactos da mineração na região e ouvir tanto os órgãos responsáveis quanto a comunidade afetada pelas atividades.


