O impasse entre a mineradora Vale e o governo federal envolvendo a renegociação das concessões das ferrovias Vitória-Minas e Carajás gerou forte insatisfação no Espírito Santo. O motivo: a indefinição ameaça um projeto estratégico para o estado, estimado em R$ 2 bilhões, que previa a construção de um trecho da EF-118, ferrovia que ligaria o estado ao Rio de Janeiro.
EF-118 pode ser adiada e projeto de 80 km segue travado
A expectativa era que parte dos recursos adicionais que a União buscava negociar com a Vale fosse destinada à execução dos 80 quilômetros iniciais da Estrada de Ferro 118, entre Santa Leopoldina e Anchieta, onde está localizado o Porto de Ubu. O projeto ferroviário é visto como crucial para fortalecer a logística e a competitividade industrial capixaba.
Em evento promovido pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), o governador Renato Casagrande demonstrou irritação com o cenário, afirmando que havia um compromisso público da mineradora com o estado. “A notícia é bem ruim, sem dúvida. Era algo que já estava dado. Afinal, há um compromisso da Vale com a sociedade capixaba, feito dentro do Palácio Anchieta”, disse o governador, abandonando seu habitual tom conciliador.
Judicialização entra no radar e futuro das obras nas ferrovias é incerto
Sem avanço nas tratativas entre a empresa e o governo federal, o tema pode ser levado à Justiça, o que tende a atrasar ainda mais qualquer desfecho. O trecho inicial da ferrovia é considerado o primeiro passo para tirar do papel o projeto completo da EF-118, que visa integrar os estados do Sudeste pela malha ferroviária, com ganhos logísticos para escoamento de cargas e dinamização da economia regional.
A paralisação das negociações nas ferrovias levanta preocupações sobre a confiabilidade dos acordos firmados e coloca em xeque um dos maiores investimentos previstos para a infraestrutura de transporte no Espírito Santo.


