Apesar de ser historicamente associada à mineração — atividade que moldou sua identidade e impulsionou sua economia desde o ciclo do ouro — Minas Gerais enfrenta um desafio inevitável: os recursos minerais estão se esgotando. Em muitas cidades, onde a mineração ainda é o principal motor financeiro, a falta de alternativas econômicas sustentáveis acende um alerta. Quando o minério acaba, a economia local corre o risco de entrar em colapso.
A cidade de Itabira, localizada na região Central de Minas Gerais, vive uma corrida contra o tempo. Com 80% da economia ainda ancorada na mineração, o município precisa encontrar novos caminhos antes que o minério de ferro chegue ao fim. A projeção é que as reservas da Vale na região se esgotem em 2041, ou seja, em apenas 16 anos. A contagem regressiva já começou, e com ela, o desafio de reinventar o modelo econômico local.
Dependência na mineração expõe riscos estruturais
Apesar de ser historicamente ligada à mineração desde o ciclo do ouro, a realidade é que os recursos naturais não são renováveis. Quando acabam, deixam para trás cidades sem alternativas econômicas viáveis. E não é só o fim das jazidas que ameaça municípios como Itabira. Oscilações de mercado, decisões corporativas imprevistas e eventos extremos, como os desastres ambientais registrados em Mariana e Brumadinho, também podem comprometer drasticamente a arrecadação e a estabilidade fiscal dessas localidades.
A Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), uma das principais fontes de receita desses municípios, é diretamente afetada por esses fatores. Assim, quando a mineração sofre, toda a estrutura pública também sente — da saúde à educação, passando pela geração de empregos e serviços básicos.


