O complexo de Carajás, no sudeste do Pará, voltou ao centro das atenções dentro da estratégia da Vale e pode se tornar decisivo para o futuro da companhia. Conhecida mundialmente pela força na produção de minério de ferro, a região agora ganha ainda mais relevância por concentrar um dos ativos mais valiosos da mineração global: o cobre.
Localizada a cerca de 700 quilômetros de Belém, a operação construída pela mineradora reúne mina, ferrovia e porto em uma estrutura integrada que sustenta parte da liderança internacional da empresa. Agora, essa mesma engrenagem pode impulsionar uma nova fase baseada em metais estratégicos para a transição energética.
Cobre de Carajás já responde por 75% da produção da Vale
Durante décadas, Carajás foi sinônimo de minério de ferro, com cerca de 170 milhões de toneladas produzidas por ano e transportadas por uma ferrovia de quase 1.000 quilômetros até o Porto de Ponta da Madeira, no Maranhão.
Mas abaixo da terra existe uma riqueza ainda mais valiosa. Atualmente, a região responde por mais de 75% de toda a produção de cobre da Vale. Em 2025, foram extraídas 290 mil toneladas em Carajás, de um total de 382 mil toneladas produzidas pela companhia.
Embora o volume seja menor em comparação ao minério de ferro, o valor de mercado chama atenção. Uma tonelada de cobre pode custar cerca de 13 mil dólares, chegando a valer até 100 vezes mais que o minério de ferro.
Esse cenário fez o metal ganhar protagonismo dentro da estratégia da empresa, principalmente diante do crescimento da demanda global impulsionada pela eletrificação, inteligência artificial e transição energética.
Carajás pode transformar a Vale em gigante global do cobre
Motores elétricos, redes 5G, baterias e data centers dependem diretamente do cobre, o que vem ampliando a corrida internacional por reservas de alta qualidade.
Segundo a S&P Global, o consumo mundial deve saltar de 28 milhões de toneladas em 2025 para 42 milhões até 2040. Sem novos projetos, o setor pode enfrentar um déficit de até 10 milhões de toneladas.
É justamente nesse cenário que Carajás se destaca. A região possui algumas das maiores reservas de cobre de alta qualidade do planeta, com teor médio de até 2%, muito acima da média global, o que reduz custos e aumenta a eficiência operacional.
A Vale anunciou recentemente US$ 3,5 bilhões em investimentos para metais estratégicos, e todo esse valor será destinado ao cobre em Carajás nos próximos cinco anos.
A meta é dobrar a produção para 700 mil toneladas até 2035 e alcançar 1 milhão de toneladas nos anos seguintes. Caso isso aconteça, a empresa poderá entrar no grupo das cinco maiores produtoras globais de cobre, ao lado de gigantes como Codelco, BHP e Freeport-McMoRan.
Além disso, a infraestrutura já existente permite uma expansão mais rápida e com menos riscos, aproveitando projetos satélites como Bacaba, Cristalino e 118, que devem prolongar a vida útil de complexos como Sossego para além de 2060.
Essa combinação de escala, logística pronta e minério de alta qualidade faz com que muitos analistas classifiquem Carajás como um dos ativos mais valiosos da mineração mundial.


