A Anglo American projeta encerrar 2026 dentro da faixa de produção anunciada ao mercado, entre 24 milhões e 26 milhões de toneladas. A informação foi confirmada pela CEO da companhia no Brasil, Ana Sanches, em entrevista exclusiva ao Cidades & Minerais durante a Exposibram 2026, na terça-feira (25), em Belo Horizonte.
Segundo a executiva, além do volume produzido, a companhia tem priorizado segurança, estabilidade operacional e ganhos de eficiência. “Então, eu posso dizer que eu tenho um time que eu me orgulho muito, porque muito mais importante do que o time entrega, é o como que eles entregam.”
Ana também destacou a integração entre as equipes como um dos fatores considerados importantes para o desempenho da empresa. “A gente tem um time que realmente trabalha junto, de uma forma colaborativa, não pensando em silos, não pensando em eco, mas pensando em todos trabalharem juntos, integrados, buscando objetivos em comum.”
Anglo American mantém investimentos em Conceição do Mato Dentro

A relação da empresa com a Prefeitura de Conceição do Mato Dentro, onde está localizado o Sistema Minas-Rio, também foi abordada durante a entrevista. De acordo com Ana Sanches, segue em andamento o acordo voluntário firmado entre a mineradora e o município, com valor de R$ 500 milhões.
A iniciativa contempla três áreas principais: infraestrutura, educação de ensino superior e saúde. A expectativa, segundo a CEO, é que os projetos previstos avancem para a fase de execução e comecem a apresentar resultados concretos para a população.
“Estamos dando segmento ao acordo que nós firmamos com a prefeitura de Conceição do Mato Dentro, um acordo voluntário, um acordo histórico entre uma mineradora e uma prefeitura, na cifra de 500 milhões de reais.”
Para a executiva, a atuação conjunta do setor mineral é necessária diante dos desafios e das oportunidades existentes no Brasil. Ana Sanches também ressaltou sua posição como primeira mulher a ocupar a presidência do Conselho do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
“Eu falo que eu fui a primeira mulher. Espero que eu não seja a única.” A executiva afirmou ainda que espera que sua trajetória contribua para ampliar a participação feminina na mineração.
Serra da Serpentina ainda está em fase de estudos
Outro ponto discutido foi o futuro da Serra da Serpentina, projeto desenvolvido em parceria com a Vale. Ana explicou que os estudos de viabilidade continuam e que ainda há etapas importantes antes de uma eventual operação, incluindo o processo de licenciamento.
“Os estudos, a gente tem um prazo em acordo com a Vale para a gente concluir esses estudos de viabilidade e só após a conclusão desses estudos é que a gente vai dar sequência em todo o processo.”
A executiva explicou que o empreendimento ainda deverá levar alguns anos até chegar à fase de exploração. A Serra da Serpentina é considerada uma continuidade geológica da Serra do Sapo, e as duas áreas possuem blocos geológicos contíguos.
A definição da logística também não foi tomada. Segundo Ana, diferentes alternativas estão sendo avaliadas durante os estudos de pré-viabilidade, incluindo as possibilidades de transporte e infraestrutura necessárias para o projeto.
“Tudo isso está sendo estudado porque nesse momento, nessa etapa de estudo de pré-viabilidade, na verdade que a gente está, todas as possibilidades são colocadas na mesa para a gente poder estudar qual que é aquela que faz mais sentido de um ponto de vista mais holístico.”
Estratégia global da Anglo American
Questionada sobre a possibilidade de a companhia ampliar sua atuação para outros minerais, Ana Sanches afirmou que a estratégia atual está concentrada em cobre, minério de ferro de alto teor e fertilizantes. A executiva também explicou que a conclusão da operação envolvendo a canadense Teck deverá acrescentar o zinco ao portfólio da Anglo American.
Com isso, a empresa pretende concentrar sua estratégia nesses quatro segmentos, enquanto mantém em avaliação projetos que possam fortalecer sua posição no mercado internacional.
A CEO também defendeu que o Brasil avance na industrialização e no beneficiamento de seus recursos minerais, mas sem abandonar a importância das exportações que já contribuem para a balança comercial brasileira.
“Eu acho que a gente pode sim caminhar numa agenda buscando uma industrialização, mas sem perder a força do que a gente tem hoje. Então eu acho que essas duas coisas podem andar fortemente em paralelo.”
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