A exploração de terras raras na Amazônia Legal já afeta ao menos 41 áreas protegidas, incluindo terras indígenas, comunidades quilombolas e unidades de conservação ambiental. O dado é revelado por um levantamento exclusivo da Repórter Brasil, que teve acesso a informações da Agência Nacional de Mineração (ANM) e outros órgãos federais.
Terras raras e seu crescente valor no mercado
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos, como neodímio, escândio e praseodímio, amplamente utilizados na produção de ímãs para turbinas eólicas, carros elétricos, indústria aeroespacial e até para uso bélico.
Com a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China, o Brasil se torna um ponto estratégico para o mercado global. Estima-se que a demanda por esses minerais aumente entre 50% e 60% até 2040, segundo a Agência Internacional de Energia.
O interesse internacional e a disputa por recursos
Em meio a esse cenário, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou que o Brasil pode incluir as terras raras nas negociações de tarifas comerciais com os Estados Unidos. Este movimento vem após declarações do encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, que, em julho, destacou o interesse do governo Trump nos minerais estratégicos do Brasil, com ênfase nas terras raras.
O potencial de crescimento econômico e a disputa pelo controle desses recursos têm gerado preocupações sobre os impactos ambientais e sociais, especialmente em áreas protegidas e sensíveis da região amazônica.


