No próximo dia 5 de novembro de 2025, completa-se uma década da tragédia que abalou Mariana, em Minas Gerais, quando a barragem de Fundão, da Samarco, se rompeu e despejou 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos sobre comunidades e o Rio Doce. A tragédia de Mariana deixou 19 mortos e causou danos irreparáveis à região, mas, após dez anos, ainda não há responsáveis criminalmente pela catástrofe.
A decisão da Justiça e o silêncio das responsabilidades pela tragédia de Mariana
Em novembro de 2024, a Justiça Federal absolveu a mineradora e todos os outros denunciados pelo desastre. A juíza Patricia Alencar Teixeira de Carvalho considerou que os documentos e testemunhos apresentados no processo não esclareciam as condutas individuais que contribuíram para a tragédia, e que a dúvida deveria ser resolvida a favor dos réus.
Apesar da decisão, o Ministério Público Federal (MPF) recorreu da sentença, defendendo que as omissões coletivas de todos os envolvidos ampliaram os riscos da operação da barragem. Para o procurador Eduardo Henrique de Almeida Aguiar, grandes crimes ambientais são resultado da ação de uma estrutura organizacional complexa, não de uma única pessoa.
Quase um ano após o recurso, o processo ainda não foi analisado, e o MPF emitiu, em junho deste ano, um parecer recomendando a aceitação integral dos pedidos de responsabilização. Enquanto isso, a espera por justiça segue sem respostas definitivas.


