A australiana Viridis Mining and Minerals inaugura oficialmente, na próxima quinta-feira (28), o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. A estrutura é apontada pela empresa como uma das maiores plantas semi-industriais demonstrativas do mundo para produção de carbonato misto de terras-raras.
Viridis aposta em estrutura inédita fora da China
Segundo o gerente da mineradora no Brasil, Klaus Petersen, a unidade é a maior planta demonstrativa para produção de carbonato de terras-raras a partir de argila iônica fora da China. A operação conta com sistema automatizado e capacidade para processar cerca de 100 quilos de argila iônica por hora, volume aproximadamente quatro vezes maior do que plantas-piloto de empresas concorrentes.
Para implantação do centro, a companhia investiu US$ 4 milhões, cerca de R$ 20 milhões na cotação atual. Aproximadamente dez profissionais atuam na unidade.
Centro de pesquisa prepara futura operação comercial
A planta, que entrou em funcionamento no início de maio, será utilizada para validar processos produtivos, produzir amostras para potenciais clientes do Projeto Colossus e capacitar equipes para a futura operação comercial.
A expectativa da mineradora é avançar para a instalação da planta industrial no Sul de Minas, com investimento estimado em US$ 356 milhões. O cronograma prevê licença de instalação até outubro, decisão final de investimento em novembro e início das obras nos primeiros meses de 2027.
Produção industrial deve começar em 2028
Inicialmente, a empresa pretende produzir carbonato impuro de terras-raras. Em uma segunda etapa, ainda em 2028, a previsão é iniciar a fabricação de carbonato misto com maior grau de purificação para atender mercados específicos.
Além da produção de carbonato, a Viridis também projeta avançar para o refino de óxidos de terras-raras e reciclagem de ímãs permanentes. O retorno estimado do investimento da planta principal deve ocorrer entre dois e três anos, possibilitando futuramente a construção de uma unidade de refino avaliada em aproximadamente US$ 200 milhões.
As terras-raras são minerais considerados estratégicos para setores ligados à transição energética e tecnologia, estando presentes em veículos elétricos, turbinas eólicas, baterias, celulares e equipamentos eletrônicos.
Com o avanço do Projeto Colossus, Minas Gerais amplia sua participação em um mercado global hoje fortemente concentrado na China.


