Após quase 25 anos de negociações, o Brasil finalmente concretizou um acordo com a União Europeia por meio do Mercosul, o que traz tanto oportunidades quanto desafios para o setor mineral. Embora o pacto preserve o direito do Brasil de adotar políticas industriais, como a taxação de exportações de minerais críticos, ele também abre um espaço considerável para a venda de minérios brutos com redução de tarifas comerciais.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alerta que, embora o acordo tenha garantido um espaço para políticas industriais nacionais, a facilidade para exportação de minerais pode enfraquecer os esforços de industrialização interna. O Brasil tem a chance de disputar etapas mais rentáveis da cadeia, como a produção de insumos para baterias e tecnologias de transição energética, mas isso exigirá investimentos substanciais em tecnologia e inovação.
A corrida global por minerais críticos e a oportunidade brasileira
O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo — com destaque para Minas Gerais, que concentra a maior parte dessas reservas —, está em uma posição estratégica no cenário global. Minerais como lítio e outros elementos essenciais para a fabricação de baterias e componentes eletrônicos estão no centro de uma intensa disputa internacional, com países como os Estados Unidos e a União Europeia mirando essas matérias-primas para suas próprias transições energéticas e avanço tecnológico.
Embora a China domine a produção e o refino desses recursos, os Estados Unidos também estão de olho em locais como a Groenlândia, cujas reservas podem ser cruciais para a fabricação de componentes eletrônicos e baterias. A corrida por terras raras e minerais essenciais para a tecnologia verde tem o Brasil na linha de frente, o que pode representar tanto desafios quanto uma oportunidade única para fortalecer sua cadeia produtiva interna.
A questão agora é como o Brasil pode aproveitar sua posição privilegiada sem cair na tentação de simplesmente exportar o minério bruto. A FIEMG destaca que, para isso, o país precisará enfrentar desafios como a escassez de tecnologia avançada, barreiras regulatórias e a necessidade de investimentos pesados para garantir a competitividade no mercado global. Além disso, será fundamental que o Brasil diversifique suas parcerias internacionais, criando uma rede que permita fortalecer sua indústria e reduzir a dependência de países como a China.


