A disputa internacional por recursos indispensáveis à transição energética ganhou espaço no debate da Exposibram 2026. Durante o painel “A importância da política para Minerais Críticos e Estratégicos no Brasil”, realizado no Palco B do evento, representantes do setor mineral e do governo discutiram os caminhos para que o país transforme suas reservas em vantagem econômica e geopolítica.
Participaram da discussão Pablo Silva Cesário, do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Katia Regina de Abreu Gomes, da BRZ Consulting, e Rogério da Veiga, da Casa Civil da Presidência da República.
O encontro destacou que a construção de uma política mineral mais robusta depende da aproximação entre União, estados, municípios e empresas. A avaliação apresentada foi de que o Brasil possui recursos estratégicos, mas precisa avançar na criação de mecanismos institucionais capazes de estimular investimentos e aumentar a competitividade nacional.
Minerais críticos desafiam Brasil a criar uma estratégia de longo prazo
Um dos pontos levantados durante o painel foi a trajetória do agronegócio brasileiro. O setor rural foi utilizado como exemplo de uma atividade que conseguiu consolidar políticas específicas, mecanismos de financiamento e uma relação mais estruturada com o poder público.
A comparação serviu para mostrar que a mineração ainda precisa avançar na construção de um ambiente institucional semelhante. A criação de regras mais claras e de instrumentos de incentivo foi apontada como parte importante desse processo, principalmente diante da crescente demanda mundial por matérias-primas estratégicas.
O tema também está em discussão no Congresso Nacional. Atualmente, duas propostas concentram parte das atenções no Senado: o Projeto de Lei nº 2.780/2024, que já passou pela Câmara dos Deputados, e o Projeto de Lei nº 4.443/2025, apresentado no próprio Senado.
Durante uma audiência pública realizada em maio de 2026 pela Comissão de Infraestrutura, participantes defenderam que os dois projetos fossem avaliados conjuntamente. A proposta também recebeu respaldo do relator da matéria apresentada no Senado.
Disputa internacional aumenta pressão sobre o Brasil
Além da questão interna, o painel colocou a geopolítica como um dos principais fatores para definir o futuro da mineração brasileira. Países e grandes economias buscam garantir acesso a matérias-primas consideradas essenciais para setores como energia, tecnologia, indústria e defesa.
Nesse cenário, minerais como cobre, lítio, terras raras, níquel e grafite ganharam importância estratégica. Esses recursos estão diretamente ligados à fabricação de tecnologias utilizadas na transição energética, na eletrificação de veículos e na expansão de sistemas de energia de menor emissão.
Para o Brasil, a oportunidade está em ocupar uma posição mais relevante nessas cadeias globais, não apenas como fornecedor de matéria-prima, mas também ampliando sua participação em etapas de maior valor agregado.
A discussão realizada na Exposibram reforçou, portanto, que o potencial mineral brasileiro não depende exclusivamente da quantidade de recursos disponíveis no território. A capacidade de transformar essas riquezas em desenvolvimento também passa por decisões políticas, segurança regulatória, investimentos, inovação e articulação entre governo e setor produtivo.
O Cidades & Minerais também está presente na Exposibram 2026, acompanhando de perto os principais debates, anúncios e discussões que movimentam o setor mineral brasileiro. Com estande no evento, a equipe participa da cobertura da programação e traz informações diretamente dos principais encontros da mineração.


