O governo do Rio Grande do Sul pretende dar início ao processo de privatização da Companhia Riograndense de Mineração (CRM), estatal responsável pela exploração de carvão mineral no Estado. A proposta foi anunciada pelo governador Eduardo Leite, que defende a utilização dos recursos obtidos com a venda da empresa para impulsionar a transição energética e estimular novas oportunidades económicas nas regiões dependentes da atividade carbonífera.
A expectativa do Executivo estadual é iniciar os trâmites ainda este ano, embora a conclusão do processo possa ocorrer apenas durante a próxima gestão.
Companhia Riograndense de Mineração será peça na transição energética
Durante um evento dedicado ao debate sobre novas fontes de energia, realizado em Porto Alegre, Eduardo Leite afirmou que a estatal ainda possui valor de mercado devido à continuidade da exploração do carvão pelos próximos anos.
“O Estado deve encaminhar a privatização dessa empresa. Ela tem um valor justamente porque a exploração ainda perdura por alguns anos”, afirmou.
Segundo o governador, o objetivo não é apenas alienar um ativo público, mas criar um fundo capaz de apoiar a transformação económica dos municípios que hoje dependem da mineração de carvão. O dinheiro obtido com a operação deverá servir como “instrumento de fomento a novas economias nessas localidades para que essas pessoas possam migrar para novas atividades econômicas, e que a desativação não deixe ninguém para trás”.
O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 80% das reservas brasileiras de carvão mineral, tornando-se a principal região produtora desse recurso no país.
Contrato da usina em Candiota reforça plano de privatização
O governo estadual informou que o avanço da proposta ganhou força após a autorização do governo federal para a renovação do contrato da usina termelétrica a carvão localizada em Candiota, empreendimento pertencente à Âmbar Energia, do Grupo J&F.
Com a extensão do contrato até o final de 2040, a operação da usina passa a contar com maior previsibilidade financeira, cenário que também tende a fortalecer a atratividade da Companhia Riograndense de Mineração para futuros investidores.
Embora espere que a privatização seja finalizada até o próximo ano, Eduardo Leite reconheceu que o calendário pode levar a conclusão da operação para a administração seguinte. Mesmo assim, afirmou não considerar esse fator um obstáculo ao projeto.


