O presidente do Conselho Superior da Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (Adimb), Marcos André Gonçalves, defende uma abordagem mais pragmática para o desenvolvimento da cadeia de terras-raras no Brasil. Para ele, o país deve direcionar seus esforços inicialmente para a mineração, atividade na qual já possui experiência e capacidade técnica, permitindo que os demais elos da cadeia produtiva sejam desenvolvidos gradualmente.
A avaliação foi apresentada durante o XII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), realizado em Ouro Preto (MG), onde o executivo destacou que o Brasil não conseguirá construir toda a cadeia de terras-raras de uma só vez. Atualmente, o país possui apenas uma mina em operação, localizada em Goiás, enquanto novos projetos avançam, principalmente no Sul de Minas Gerais.
Mineração como ponto de partida
Segundo Gonçalves, a expansão da produção mineral é o caminho mais viável para consolidar o setor no país. Na avaliação dele, o surgimento de novas minas criará condições para que investimentos em processamento, refino e fabricação de produtos de maior valor agregado ocorram naturalmente ao longo do tempo.
O executivo ressalta que o mercado de terras-raras possui características próprias e enfrenta desafios relacionados à escala de produção e à forte influência da China sobre os preços internacionais. Por isso, acredita que o Brasil deve concentrar esforços na etapa em que já possui vantagens competitivas.
Risco de perder oportunidades
O presidente da Adimb também alertou para a necessidade de acelerar medidas que favoreçam o desenvolvimento do setor mineral. Para ele, o país dedica tempo excessivo a discussões regulatórias e pode perder a atual janela de oportunidade global para as terras-raras e outros minerais estratégicos.
Entre as prioridades apontadas estão o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM), a ampliação da disponibilidade de informações geológicas e a realização de novos leilões de áreas minerárias. Gonçalves também manifestou preocupação com o Projeto de Lei 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, afirmando que alguns pontos da proposta podem gerar insegurança jurídica e imprevisibilidade para investidores.


