A 5ª edição do Relatório de Indicadores 2025 do Women in Mining Brasil (WIM Brasil), elaborado em parceria com a EY e divulgada nesta terça-feira (2), revela que a presença feminina na força de trabalho da mineração permanece estagnada em 22%. Apesar da estabilidade, houve avanços em posições estratégicas, como o aumento de 3% na presença de mulheres em cargos executivos, que agora representam 25% do total, e em conselhos administrativos, que alcançaram 28% do setor.
As mulheres também representaram 41% das admissões no último ano, e as promoções cresceram em funções de gestão e base, especialmente nas mineradoras percentual superior ao registrado entre empresas fornecedoras e prestadoras de serviços.
A diretora do WIM Brasil, Luciana Félix, destaca que esta edição traz, pela primeira vez, recortes interseccionais de raça, PCD e idade. Segundo ela, embora a participação feminina geral tenha permanecido próxima a 2024 (22% frente a 23%), houve evolução em espaços de alta liderança.
“Ainda que sub-representado, está evoluindo nesse sentido”, afirmou.
O relatório confirma que o crescimento da presença feminina na mineração avança em ritmo lento: mantido o cenário atual, a paridade de 50% só deve ser alcançada em 2081. O ritmo reduzido reflete barreiras estruturais, como processos seletivos pouco inclusivos, ambientes de trabalho pouco acolhedores e limitações especialmente presentes em áreas técnicas e operacionais.
Um dos dados mais preocupantes da edição é a queda acentuada da presença feminina em programas de sucessão, que recuou de 31% em 2024 para 18% em 2025, rompendo três anos de crescimento contínuo. O cenário aponta falhas de priorização institucional, cortes de recursos e programas mal estruturados.
Mesmo no melhor momento, menos de um terço das participantes desses programas eram mulheres indicador de que a base de preparação para futuras lideranças já era limitada.
A diretora Luciana Félix ressalta a necessidade de indicadores que meçam a efetividade das iniciativas das empresas:
“As mulheres estão aparecendo mais, porém menos de 30% das promoções ainda são ocupadas por mulheres. Quando fazemos o recorte racial, a situação fica mais complicada.”
O relatório revela que apenas 30% das empresas monitoram promoções por raça/cor. Onde esse recorte existe, as mulheres pardas (17,9%) e pretas (6,1%) seguem drasticamente sub-representadas, enquanto mulheres brancas ocupam 57,5% das promoções. Quase 80% das empresas não realizam monitoramento com recorte de gênero e raça.
Na frente de segurança e ética, há um recuo na formalização dos mecanismos de denúncia. Apenas 84% das 57 empresas participantes possuem canais confidenciais e estruturados para acolher casos de discriminação e assédio o menor percentual desde 2021.
O relatório registrou 122 denúncias de assédio sexual, das quais 76 foram confirmadas (62%). No entanto, ao mesmo tempo, houve queda expressiva de 71% nas denúncias recebidas e de 88% nas denúncias procedentes enviadas aos canais de ética em geral, acendendo um alerta para possível subnotificação no setor mineral.
“Existe uma preocupação genuína de que pode haver subnotificação. É um ponto de atenção para que as empresas evitem que esses casos deixem de ser reportados”, destaca Luciana Félix.
Ampliação da aderência ao relatório
A edição 2025 consolida o crescimento do engajamento do setor com a pauta. Os dados do relatório reúne dados de 57 empresas signatárias, aumento de 256% desde 2021 quando apenas 16 empresas participaram e de mais de 14% na comparação com 2024.


