MM Advocacia Minerária leva à Exposibram 2025 debate sobre desafios regulatórios e regeneração ambiental

Publicado em

Durante a Exposibram 2025, realizada em Salvador (BA), a MM Advocacia Minerária apresentou, nesta terça-feira (28), a palestra “Do Passivo ao Legado – Estratégias para um Fechamento de Mina Responsável e Geração de Valor Socioambiental”, conduzida pelas advogadas Gabriela Nasser e Mariana Santos, especialistas em Direito da Mineração. O debate integrou a programação do IV Seminário Gestão Ambiental na Mineração, promovido pela SOBRADE (Sociedade Brasileira de Recuperação de Áreas Degradadas), com patrocínio da Vale e apoio do IBRAM e do Instituto Rupestris.

Desafios regulatórios e ausência de um marco nacional

As especialistas destacaram que, embora o Brasil possua normas federais e infralegais que tratam do fechamento de mina — como a Portaria DNPM nº 155/2016 e a Resolução ANM nº 68/2021 —, ainda não existe um marco regulatório nacional consolidado que integre, de forma uniforme, os aspectos técnicos, sociais, ambientais e econômicos desse processo. Essa lacuna dificulta a padronização de critérios e a segurança jurídica na fase pós-operacional.

Apesar da ausência de uma diretriz federal, alguns estados já possuem legislações específicas. São Paulo prevê planos de desativação focados em passivos e contaminações; Rio de Janeiro criou licenças de recuperação para áreas degradadas; e Minas Gerais se destaca com diretrizes que exigem planos técnicos detalhados e reuniões públicas em municípios minerados.

Boas práticas globais e o papel da inovação entraram em debate na Exposibram 2025

Gabriela Nasser e Mariana Santos também abordaram melhores práticas internacionais aplicadas ao fechamento de minas, ressaltando a importância do planejamento antecipado e progressivo e do uso de tecnologias como drones e sensoriamento remoto para monitoramento ambiental. Outros pontos destacados foram a transparência na gestão dos dados ambientais, a participação efetiva das comunidades locais e a recuperação da vegetação nativa, ações que reduzem erosões e restauram a biodiversidade.

A palestra apresentou exemplos emblemáticos de transformação de passivos em legados socioambientais. O Parque Ibirapuera (SP), que surgiu de uma antiga área de extração de areia; o Parque das Mangabeiras (BH), instalado sobre uma antiga mina de ferro; a Mina da Passagem (Mariana), convertida em atração turística subterrânea; e a Ópera de Arame (Curitiba), construída em uma pedreira desativada, demonstram que é possível unir recuperação ambiental e desenvolvimento econômico.

O tripé da responsabilidade no fechamento de mina

Por fim, as advogadas reforçaram que o fechamento responsável de minas depende de uma atuação conjunta entre o Poder Público, o setor privado e a sociedade civil. O governo é responsável pela regulamentação e fiscalização, as empresas devem investir em planejamento e mitigação de impactos, enquanto a sociedade participa do monitoramento e da construção de soluções.

De acordo com a MM Advocacia Minerária, somente essa integração é capaz de transformar passivos ambientais em legados duradouros, fortalecendo a sustentabilidade e a imagem do setor mineral brasileiro.

Matérias Relacionadas

Projeto da Vale prevê mais de 2 mil empregos e coloca Parauapebas diante de nova expansão da mineração

Projeto Alemão da Vale prevê mais de 2 mil empregos diretos na implantação de uma unidade de concentrado de cobre em Parauapebas, no Pará

Ferrovias batem recorde em 2025 e minério de ferro responde por 72% das cargas

Em 2025, as ferrovias brasileiras movimentaram 555,48 milhões de toneladas úteis, com o minério de ferro respondendo por cerca de 72% das cargas

Pará: Projeto Luanga prevê mina com capacidade para processar 10 milhões de toneladas de minério por ano

Projeto Luanga, localizado na região de Carajás, no Pará, prevê implantação de mina, unidade de beneficiamento e metalúrgica, com capacidade para processar até 10 milhões de toneladas de minério por ano

Mariana avança na política habitacional com construção de 352 apartamentos pelo Minha Casa, Minha Vida

Município assinou contratos para implantação de moradias populares e investimento de R$ 31,52 milhões em infraestrutura urbana; área também deverá receber novos projetos habitacionais

últimas Matérias

Terras raras no Sul de Minas atraem BNDES e podem movimentar R$ 3,5 bilhões em novo megaprojeto

Projeto Caldeira, entre Poços de Caldas e Caldas, pode ter participação do BNDES e prevê processamento de terras raras no Brasil em meio a acordo de R$ 3,5 bilhões da Lynas

ANM quer dividir fiscalização da mineração com estados e municípios e mira bilhões em royalties

A ANM quer ampliar a fiscalização da mineração com apoio de estados e municípios, monitorar barragens e empreendimentos e reforçar o controle da arrecadação da Cfem

Nióbio pode deixar carros mais leves e seguros e já representa 33% dos negócios da CBMM

O nióbio vem ganhando espaço na indústria automotiva por contribuir para a fabricação de...

Ternium investe R$ 25 bilhões no Brasil e comemora 20 anos na Bolsa de Nova York

Ternium completa 20 anos na Bolsa de Nova York, investe R$ 25 bilhões no Brasil e amplia aportes na Usiminas, no Rio de Janeiro e na formação técnica