sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Mineração

Mineração submarina pode prejudicar o meio ambiente por décadas, alerta estudo

Estudo revela que a mineração no fundo do oceano pode causar danos irreversíveis à biodiversidade marinha. Pesquisadores alertam sobre os riscos dessa prática para o meio ambiente

Por Raquel Luciano19 de fevereiro de 2026 · 09:05Leitura de 2 min
Estudo revela que a mineração no fundo do oceano pode causar danos irreversíveis à biodiversidade marinha. Pesquisadores alertam sobre os riscos dessa prática para o meio ambiente.
Imagem: Freepix – Estudo revela que a mineração no fundo do oceano pode causar danos irreversíveis à biodiversidade marinha. Pesquisadores alertam sobre os riscos dessa prática para o meio ambiente.

A mineração submarina no fundo dos oceanos está crescendo rapidamente, impulsionada pela demanda por metais essenciais à transição energética, como níquel, cobalto e manganês, usados em baterias de carros elétricos e sistemas de energia limpa. Porém, um estudo publicado recentemente levantou sérias preocupações sobre os danos ambientais irreversíveis que essa atividade pode causar aos ecossistemas marinhos, podendo afetar a biodiversidade e o equilíbrio ecológico global.

Pesquisa de 5 anos e os impactos sobre a biodiversidade marinha

Um dos estudos mais abrangentes sobre a mineração submarina no fundo do mar foi realizado na Zona Clarion-Clipperton, uma vasta área no Pacífico entre o México e o Havaí. Durante cinco anos, uma equipe internacional de cientistas monitorou de perto os efeitos da extração de nódulos polimetálicos a uma profundidade de 4.300 metros. Publicado na revista Nature Ecology & Evolution, o estudo revelou que a retirada de cerca de 3.300 toneladas de minerais gerou uma diminuição de 32% na diversidade de espécies marinhas nas áreas afetadas.

Embora o número total de espécies não tenha caído drasticamente, a composição das comunidades marinhas mudou profundamente. Algumas espécies passaram a dominar a região, enquanto outras se tornaram raras ou desapareceram. Organismos da macrofauna, que habitam as camadas superiores do sedimento marinho, foram particularmente afetados, já que o processo de mineração altera drasticamente seu habitat.

Descoberta de novas espécies e os riscos da mineração submarina

Apesar dos danos, o estudo também trouxe uma descoberta surpreendente: uma nova espécie de coral, batizada de Deltocyathus zoemetallicus, foi identificada durante a pesquisa. Esse achado ressalta que ainda há muito a ser descoberto nas profundezas do oceano, evidenciando a importância de preservar esses ecossistemas antes que sejam totalmente destruídos.

Especialistas alertam que os ecossistemas marinhos profundos são extremamente sensíveis e demoram muito tempo para se regenerar. Ou seja, os impactos da mineração podem durar décadas ou até séculos, prejudicando irreversivelmente a biodiversidade marinha.

Embora os projetos de mineração submarina sejam monitorados pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (AIFM), ligada à ONU, a comunidade científica continua a pressionar por um maior controle sobre essas atividades para evitar danos irreparáveis. A mineração no fundo do mar, essencial para alguns avanços tecnológicos, traz consigo um preço alto, e os impactos ambientais precisam ser cuidadosamente avaliados.