A mineração brasileira começou 2026 com desempenho robusto, reforçando sua importância para a economia e ampliando o uso de tecnologias no setor. Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) mostram que, apenas no primeiro trimestre, o faturamento chegou a R$ 77,9 bilhões, crescimento de 6% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
O resultado vem acompanhado de um cenário de valorização global da atividade, que ganha ainda mais destaque no dia 7 de maio, data em que se celebra mundialmente a relevância da mineração para o desenvolvimento econômico, tecnológico e social.
Mineração brasileira impulsiona receitas, exportações e empregos
O minério de ferro segue como principal destaque, com receita de R$ 37,5 bilhões, mantendo sua posição dominante na pauta mineral. Na sequência, o ouro apresentou forte expansão, com alta de 45% e faturamento de R$ 13,5 bilhões, enquanto o cobre também avançou, somando R$ 10,3 bilhões após crescimento de 28%.
No comércio exterior, o setor registrou exportações de US$ 11,4 bilhões, avanço de 21,5% em valor. A China permanece como principal destino, sendo responsável por 66% das compras.
Além dos números financeiros, a mineração também se destaca na geração de empregos e arrecadação. Em fevereiro, o setor contabilizou cerca de 230 mil postos de trabalho diretos e arrecadou R$ 26,9 bilhões em tributos, um aumento de 5,5% na comparação anual. Para os próximos anos, a expectativa é de expansão, com previsão de US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, incluindo US$ 21,3 bilhões destinados a minerais críticos.
Tecnologia e inovação redefinem o futuro do setor mineral
A transformação digital tem ganhado protagonismo na mineração, com o uso crescente de inteligência artificial, automação, análise de dados e sistemas integrados para aumentar eficiência, segurança e sustentabilidade.
Para Valdomiro Roman, diretor de Operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), o setor passa por uma mudança estrutural. “A mineração deixou de ser vista apenas pela sua capacidade produtiva e passou a ser avaliada também pela sua inteligência operacional. Hoje, eficiência, segurança, sustentabilidade e inovação caminham juntas, e a transformação digital é um dos principais motores dessa transformação”, afirma.
Ele também destaca que o avanço tecnológico precisa ser acompanhado pela qualificação profissional. “Não basta investir em tecnologia se não houver pessoas preparadas para liderar essa transformação. A formação de engenheiros e especialistas precisa acompanhar a velocidade das mudanças industriais. Esse é um dos grandes desafios do setor hoje”.
Estudos de mercado indicam que tendências como inteligência artificial, colaboração entre empresas e capacitação da força de trabalho devem liderar a agenda global da mineração nos próximos anos. No Brasil, iniciativas como o Plano de Dados Abertos da Agência Nacional de Mineração (ANM) reforçam o movimento em direção à transparência e ao uso estratégico de informações.
Com grandes reservas minerais e crescente demanda por recursos estratégicos, o Brasil reúne condições para ampliar sua relevância internacional. No entanto, especialistas apontam que transformar esse potencial em liderança dependerá da capacidade de integrar investimento, inovação e formação de profissionais qualificados.


