O que são rejeitos?
Rejeitos são o material que sobra após o processo de lavagem do minério, e que tem pouco ou nenhum valor econômico.
Como os rejeitos são depositados?
Existem duas formas principais de depositar esses materiais:
1. Em barragens: O material é depositado em camadas e misturado com água, formando uma espécie de lama. As barragens do tipo “a montante” são aquelas em que os rejeitos são depositados em camadas sucessivas e misturados com água, formando uma espécie de lama. Novas barragens desse tipo estão proibidas no Brasil após a tragédia de Brumadinho, porque estão mais suscetíveis a acidentes.
2. Em pilhas de rejeito: O material é drenado para retirar o excesso de água e empilhado a seco. Essas estruturas são como montanhas de lixo da mineração, formadas pelo material sem valor econômico que resta após a lavagem do minério e a drenagem da água. O rejeito é drenado e empilhado a seco.
O que são pilhas de estéril?
Pilhas de estéril são estruturas formadas pelo material que está entre a superfície do solo e o minério, principalmente areia e rochas. Todo empreendimento minerário tem as pilhas de estéril.
Por que as pilhas de rejeito se tornaram mais comuns?
As pilhas de rejeito têm sido utilizadas pelas mineradoras como uma alternativa mais segura às barragens, depois da morte de quase 300 pessoas nas cidades de Brumadinho e Mariana, em 2015 e 2019.
Mais pilhas do que barragens:
A disposição dos resíduos em pilhas passou a dominar o setor de mineração nos últimos anos, de acordo com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais.
Segundo relatório anual da Agência Nacional de Mineração (ANM), o país tem mais de 3 mil pilhas de rejeito, de estéril ou mistas.
Dessas, 232 são apenas de rejeitos, sendo 41 da mineração de ferro (que produz as pilhas mais altas) e de ouro (que tem as substâncias mais tóxicas, como arsênio, cianeto e mercúrio).
Dados da Vale mostram que 70% dos rejeitos da mineradora estão armazenados em pilhas, um aumento significativo em relação a 2014, quando esse número era de 40%.
A Samarco também tem mudado sua prática, filtrando e empilhando cerca de 80% dos rejeitos que produz desde 2020.
Segurança e preocupações com as pilhas:
O engenheiro Júlio Grillo explica que “o material seco que é depositado nas pilhas tende a se acomodar mais rapidamente e alcança uma área menor do que a lama, em caso de rompimento. Por isso, o potencial de dano é menor”. No entanto, ele levanta preocupações sobre a “falta de fiscalização e de transparência quanto aos cálculos que definem as dimensões das pilhas”.
É importante notar que, embora as pilhas de rejeito tenham um potencial de dano menor que as barragens, elas são consideradas mais instáveis que as pilhas de estéril. O engenheiro Euler Cruz explica que isso acontece porque “embora o rejeito seja drenado, ainda resta certa umidade”. Ele também ressalta que “as pilhas de rejeito precisam ter um sistema de drenagem dessa água que sobra depois que o material é empilhado”.
Regulamentação:
Mesmo com potencial de dano menor, diferente das barragens, “ainda não há regulamentação e protocolo de fiscalização das pilhas da mineração, sejam elas de rejeito ou de estéril”. O governo federal prevê definir regras até 2026.


