A indústria mineral foi responsável por quase metade do saldo da balança comercial brasileira no primeiro semestre de 2026. De acordo com dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o setor gerou um superávit de US$ 20,3 bilhões no período, equivalente a 48% do resultado positivo registrado pelo país nas exportações.
O desempenho reforça a importância da mineração para a economia brasileira, mas também acende um alerta em relação à regulamentação do imposto seletivo, que poderá incidir sobre as exportações de minério de ferro e afetar a competitividade das empresas nacionais no mercado internacional.
Minério de ferro lidera exportações da mineração

Segundo o levantamento do IBRAM, o minério de ferro respondeu por 53,6% de todas as exportações minerais brasileiras entre janeiro e junho deste ano, consolidando-se como o principal produto da pauta mineral do país.
No período, as exportações do setor alcançaram US$ 25,1 bilhões, crescimento de 24,1% em comparação com o primeiro semestre de 2025. Em volume, foram embarcadas 196,2 milhões de toneladas, alta de 2,4%.
As importações minerais também avançaram, somando US$ 4,8 bilhões, aumento de 18,9%, enquanto o volume importado chegou a 20,9 milhões de toneladas, crescimento de 6,7%.
Os números contribuíram para que o saldo da balança comercial mineral registrasse crescimento de 25,36% na comparação anual, enquanto o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 42,36 bilhões.
IBRAM defende alíquota zero para o imposto seletivo
Durante a apresentação dos resultados, o presidente do IBRAM, Pablo Cesário, voltou a defender que o minério de ferro fique fora da incidência do imposto seletivo previsto na reforma tributária.
“O imposto seletivo para o setor é, na prática, um imposto sobre a exportação de minério de ferro. Não existe nenhum imposto seletivo no mundo que inclua a mineração, já que ele tem outra destinação e não tem nada a ver com minério. Se este novo tributo vier a incidir sobre o setor, teremos o real risco de reduzir a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional”, afirmou.
A regulamentação do tributo poderá estabelecer uma alíquota de até 0,25% para o setor mineral. O IBRAM, no entanto, defende que a cobrança seja fixada em zero e também atua junto ao Congresso Nacional pela derrubada do veto que permite a incidência do imposto sobre bens minerais destinados à exportação.
Para Pablo Cesário, a tributação das exportações pode comprometer a geração de divisas e reduzir a competitividade do Brasil no comércio internacional. “Não se pode, não se deve taxar exportações”, declarou.


