A reabertura de uma mina de prata, chumbo e barita transformou a rotina da pequena cidade de Vares, localizada na região central montanhosa da Bósnia. O empreendimento, inaugurado em 2024, havia renovado as expectativas da população após anos de dificuldades econômicas, impulsionando obras, movimentando o comércio local e atraindo novos moradores.
Entretanto, o cenário de crescimento passou a ser acompanhado por uma preocupação crescente entre os habitantes da região. Exames recentes identificaram sinais de exposição ao chumbo em centenas de pessoas que vivem próximas às operações da mineradora, levantando questionamentos sobre possíveis impactos ambientais e riscos à saúde pública.
Exposição ao chumbo preocupa moradores de Vares
Os testes realizados nos últimos meses apontaram que mais de 300 moradores apresentaram presença de chumbo no sangue. Parte dos casos registrou índices considerados elevados, principalmente entre pessoas que vivem nas proximidades da área de processamento da mina e do depósito de rejeitos.
Segundo moradores, os exames começaram a ser feitos após uma proposta da antiga administradora da mina para monitoramento preventivo. Inicialmente, 17 das 44 pessoas avaliadas apresentaram alterações preocupantes. Depois disso, novas análises conduzidas por institutos de saúde das cidades de Zenica e Sarajevo ampliaram o número de casos detectados.
Especialistas alertam que altos níveis de chumbo podem provocar danos ao sistema nervoso, além de afetar o desenvolvimento cerebral e causar dificuldades de aprendizagem em crianças.
Queixa-crime aumenta pressão sobre mineradora
Na última quarta-feira, quatro organizações ambientais da Bósnia decidiram apresentar uma queixa-crime contra a mineradora canadense Dundee Precious Metals, atual responsável pelo projeto após adquirir a empresa britânica Adriatic Metals, antiga controladora da operação.
Miroslav Pejcinovic, presidente da associação Opstanak (Sobrevivência) Vares, afirmou que os resultados dos exames exigem responsabilização. “Os exames de s4ngue mostraram que alguém precisa ser responsabilizado”, declarou.
A empresa canadense, listada na Bolsa de Toronto, negou ser responsável pela contaminação, mas admitiu que existe uma situação que precisa ser acompanhada. Em dezembro, a companhia concordou em custear os testes realizados nos moradores da região.
Enquanto autoridades investigam o caso, a população de Vares vive a incerteza sobre o futuro da cidade, que havia retomado o crescimento econômico com a chegada da atividade mineradora.


