A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, está vendo seu caminho para retomar a liderança no setor de mineração se tornar cada vez mais difícil. A companhia brasileira, que já foi a maior produtora global de minério de ferro, perdeu esse posto para a Rio Tinto após as tragédias das barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. Hoje, a BHP Group ocupa o topo do mercado, com um valor de mercado de US$ 162 bilhões, seguida pela Rio Tinto, avaliada em US$ 133 bilhões, enquanto a Vale está atualmente em torno de US$ 60 bilhões.
Ambição da Vale de retomar o primeiro lugar e a ameaça da fusão entre Rio Tinto e Glencore
Apesar da queda, a nova liderança da Vale, sob o comando de Gustavo Pimenta, tem uma ambição clara: reconquistar o posto de maior mineradora do mundo em termos de valor de mercado. Em 2024, Pimenta declarou publicamente que a companhia está sentada sobre a maior reserva mineral do planeta e que a Vale deve “destravar o valor” dessa riqueza para voltar ao topo do setor global.
No entanto, um grande obstáculo para esses planos pode estar à vista: a possível fusão entre a Rio Tinto e a Glencore. As duas mineradoras estão em negociações para criar um novo gigante global, com um valor de mercado estimado em US$ 207 bilhões. Esse movimento colocaria a empresa resultante em uma posição muito à frente da Vale, não apenas em termos de valor de mercado, mas também no controle de metais estratégicos, como cobre, um recurso vital para a transição energética e o crescimento da inteligência artificial.
O futuro da Vale: uma possível aposta no cobre
A possível solução para a Vale estaria em uma aposta mais ousada no cobre, um metal cada vez mais estratégico, especialmente diante da crescente demanda por materiais que suportem a transição energética. O BTG Pactual aponta que há “valor latente” no negócio de cobre e níquel da Vale, representando cerca de 20% do valor da companhia. No entanto, para desbloquear esse potencial, a Vale precisaria adotar uma postura mais proativa e menos passiva no mercado.
Especialistas sugerem que a Vale poderia buscar aquisições inorgânicas no setor de cobre para se reposicionar. Movimentos como esse, no entanto, poderiam ser muito custosos, demandando investimentos de alta intensidade e longo tempo de maturação.
Consolidação do setor e novos desafios
A fusão entre Rio Tinto e Glencore faz parte de uma tendência mais ampla de consolidação no setor de mineração, com grandes transações, como a fusão entre Anglo American e Teck Resources, no valor de US$ 66 bilhões, também sinalizando um fortalecimento das grandes potências globais do setor.
Esse movimento ocorre em um cenário de preços recordes do cobre, que recentemente atingiu US$ 13 mil por tonelada, ampliando a atratividade do metal para as mineradoras.
No caso da Vale, isso significa que sua estratégia de crescimento e consolidação pode precisar ser reavaliada e acelerar seu ingresso em mercados estratégicos como o cobre, caso queira manter sua relevância global.


