A agenda de diversidade, equidade e inclusão tem ganhado espaço estratégico dentro da mineração brasileira. Com esse objetivo, o Instituto Brasileiro de Mineração realizará no dia 14 de abril, em Belo Horizonte, a edição 2026 do Diversibram – Mineração sem Rótulos, evento que busca ampliar o debate sobre inclusão e inovação no setor mineral. A iniciativa ocorrerá em formato híbrido e com participação gratuita.
Criado para estimular mudanças estruturais na indústria mineral, o encontro se consolidou como um dos principais espaços de diálogo sobre diversidade na mineração brasileira. A proposta é reunir executivos, especialistas, empresas e representantes da sociedade para discutir caminhos que tornem o setor mais moderno, competitivo e socialmente responsável.
A abertura contará com a participação da executiva Ana Sanches, que também preside o conselho diretor do Instituto Brasileiro de Mineração. Na avaliação dela, colocar as pessoas no centro das estratégias empresariais é um passo essencial para consolidar um modelo de mineração mais sustentável.
Diversidade como estratégia para o futuro da mineração
Segundo a CEO da Anglo American Brasil, o setor mineral avançou na discussão sobre diversidade nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios estruturais. Para ela, uma indústria realmente madura nesse tema precisa integrar diversidade, equidade e inclusão às decisões de negócio.
Na prática, isso envolve metas claras, indicadores acompanhados pelas lideranças e disposição para revisar práticas que possam gerar exclusão dentro das organizações.
Ana Sanches afirma que o debate deixou de ser apenas institucional e passou a ter impacto direto na competitividade das empresas. Ambientes de trabalho mais inclusivos, segundo ela, favorecem a inovação, fortalecem a segurança operacional e ampliam a capacidade das equipes de resolver problemas complexos.
Tecnologia e inclusão ganham espaço no debate
A programação do Diversibram 2026 também vai abordar temas que influenciam diretamente o futuro da mineração, como tecnologia, transformação do trabalho e desenvolvimento dos territórios onde as operações estão instaladas.
A executiva destaca que soluções tecnológicas vêm ampliando o acesso a novas oportunidades dentro da indústria mineral. Operações remotas e digitalização de processos, por exemplo, permitem que profissionais com diferentes perfis e limitações físicas participem de atividades antes restritas ao trabalho em campo.
Outro ponto central do debate será o desenvolvimento das comunidades próximas às operações minerais. Para o setor, a sustentabilidade da mineração depende diretamente da capacidade de gerar benefícios concretos para os territórios onde as empresas atuam.
Barreiras históricas ainda desafiam o setor
Apesar dos avanços, a mineração ainda enfrenta obstáculos para ampliar a diversidade, especialmente em posições de liderança e em funções operacionais estratégicas.
Entre os principais desafios estão a presença limitada de grupos diversos em cargos de decisão e a permanência de práticas consideradas tradicionais, que acabam restringindo o acesso de mulheres, profissionais locais e outros grupos sub-representados.
Outro fator apontado por Ana Sanches é a percepção histórica de que ambientes operacionais da mineração seriam incompatíveis com diversidade. Para ela, essa visão já se mostra ultrapassada e precisa ser superada por meio de investimentos em infraestrutura, tecnologia e novos modelos de trabalho.
Liderança e metas públicas podem acelerar mudanças
O Instituto Brasileiro de Mineração tem buscado ampliar o compromisso do setor com a pauta por meio da Agenda ESG da Mineração, que estabelece metas e planos de ação voltados para diferentes pilares de sustentabilidade, incluindo diversidade, equidade e inclusão.
A proposta é estimular indicadores comuns entre empresas, transparência na divulgação de resultados e reconhecimento de boas práticas que possam servir de referência para todo o setor.
Para a executiva da Anglo American Brasil, transformar o debate em ações concretas será o principal desafio das lideranças nos próximos anos.
“É fundamental que cada organização estabeleça metas mensuráveis, acompanhe resultados e desenvolva planos de carreira mais inclusivos. O futuro da mineração será mais inovador, competitivo e justo se essa agenda deixar de ser apenas discurso e se tornar prioridade estratégica”, afirmou.


