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Cabo Verde Mineração prevê mais US$ 10 milhões em projeto de terras-raras no Sul de Minas

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Com um projeto de terras-raras em fase de exploração no Complexo Alcalino de Poços de Caldas, a Cabo Verde Mineração prevê investir aproximadamente US$ 10 milhões adicionais no Sul de Minas Gerais ao longo dos próximos dois anos. O montante será destinado à conclusão da etapa de pesquisa mineral e à construção de uma planta-piloto de processamento.

Sediada em Belo Horizonte, a empresa de capital fechado já investiu cerca de R$ 7 milhões, com recursos próprios, nas pesquisas realizadas desde o fim de 2023. A mineradora mantém a produção de minério de ferro na região, atividade que contribui para financiar o desenvolvimento do projeto de terras-raras, mas planeja captar recursos de investidores internacionais para viabilizar os novos aportes.

As informações são do CEO da Cabo Verde Mineração, Túlio Rivadávia Amaral, que afirma haver negociações em curso com investidores da Ásia, União Europeia e Canadá. Por questões de confidencialidade, os nomes não foram revelados. Segundo o executivo, as tratativas envolvem diferentes modelos, com predominância de operações de equity, e o primeiro acordo pode ser fechado dentro de até três meses.

De acordo com Amaral, a expectativa é que, em cerca de um ano, a empresa obtenha recursos minerais classificados como inferidos, conforme padrões internacionais, etapa necessária para avançar no aprimoramento da rota tecnológica de aproveitamento. Após testes em escala de bancada e semi-industrial, além dos estudos de viabilidade e do processo de licenciamento ambiental, o projeto seguirá para a implantação da planta industrial. A estimativa é que a operação esteja plenamente funcional em aproximadamente sete anos.

Inicialmente, o investimento previsto para a implantação da usina de beneficiamento é da ordem de US$ 360 milhões, com capacidade de alimentação de cinco milhões de toneladas de argilas iônicas, segundo o CEO. Por se tratar de um projeto ainda em estágio inicial, os valores poderão ser ajustados ao longo do desenvolvimento, e o potencial produtivo definitivo ainda não pode ser cravado.

Novo alvo identificado e início das sondagens

Como parte do avanço do projeto no Sul de Minas, a Cabo Verde Mineração anunciou a identificação de um novo alvo de detalhe para terras-raras, denominado Alvo Botelhos, localizado no município homônimo. A empresa já iniciou a sondagem por trado mecânico na área, com o objetivo de confirmar e quantificar o potencial de recursos conforme padrões internacionais.

Segundo Amaral, Botelhos representa um bloco mais central dentro do conjunto de áreas da empresa. Até então, as mineralizações identificadas concentravam-se principalmente nas extremidades da região estudada.

Além de Botelhos, a mineradora possui outros três alvos principais: Caconde, o menor deles — onde as perfurações por trado já estão em andamento —, Campestre e Cabo Verde/Muzambinho, estes últimos ainda sem início das sondagens.

“Estamos falando de mais de 500 milhões de toneladas de argilas iônicas mineralizadas com terras-raras, considerando os quatro alvos”, destaca o executivo. “Somente no Alvo Caconde, que é pequeno em comparação aos demais e ainda está em fase intermediária de perfuração, já estimamos cerca de 100 milhões de toneladas”, acrescenta.

Retomada da produção de minério de ferro

Paralelamente ao projeto de terras-raras — atualmente o principal foco da companhia —, a Cabo Verde Mineração retomou, em janeiro, a produção de minério de ferro na mina Catumbi, localizada entre os municípios de Cabo Verde e Muzambinho. A operação havia sido interrompida para viabilizar as pesquisas geológicas na área, situada no Complexo Vulcânico de Poços de Caldas.

De acordo com Amaral, a mina possui licença para produzir até 600 mil toneladas por ano, mas a produção deve se manter em torno de 150 mil toneladas anuais, volume previsto a partir de 2026. A unidade produz lump e sinter feed, com teores entre 64% e 66% de ferro.

Em 2024, a Cabo Verde chegou a anunciar um investimento de cerca de R$ 70 milhões na implantação de uma nova planta de beneficiamento, com o objetivo de produzir um concentrado com teor de 68% de ferro. No entanto, o plano foi descartado. Segundo o CEO, a operação atual utiliza um processo a seco, e estudos para adoção de concentração por via úmida foram abandonados após a avaliação geológica indicar que os volumes disponíveis não justificariam o investimento.

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