O setor de rochas ornamentais brasileiro enfrenta um dos momentos mais delicados da última década. Em julho, cerca de 60% das remessas destinadas aos Estados Unidos foram suspensas, movimento que pode gerar um impacto financeiro de até 40 milhões de dólares nas vendas externas do segmento neste mês. A medida ocorre em meio à escalada das tensões comerciais entre os dois países após o anúncio de tarifas adicionais de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo norte-americano.
Espírito Santo é o mais afetado pela crise das exportações das rochas
Principal exportador nacional do setor, o Espírito Santo concentra aproximadamente 80% das vendas de rochas naturais para o mercado norte-americano. Empresas da região já registram cancelamentos de pedidos e suspensão de embarques, cenário que deve afetar a balança comercial do estado e colocar em risco parte da cadeia produtiva local.
De acordo com associações representativas, como a Centrorochas, os Estados Unidos são responsáveis por 31% das exportações brasileiras de rochas naturais. A redução abrupta nos embarques, portanto, deve provocar efeitos imediatos na arrecadação e nos empregos ligados à atividade mineral.
Contexto da tarifa e impacto econômico
As novas tarifas impostas por Washington entrarão em vigor a partir de agosto, mas seus reflexos já são sentidos. Especialistas alertam que a medida é inviável do ponto de vista comercial e pode comprometer acordos de longo prazo no setor mineral. O mercado teme que, mantido esse cenário, haja queda significativa no volume exportado e na competitividade brasileira.
O impacto é ainda mais relevante considerando que, em 2024, o Brasil bateu recorde histórico de exportações para os Estados Unidos, movimentando mais de 40 bilhões de dólares, sendo 31,6 bilhões provenientes de produtos industriais. A nova barreira tarifária, entretanto, pode frear esse avanço e gerar desequilíbrio nas contas externas do país.
Alternativas e negociações em andamento
Com o impasse, empresas e entidades do setor buscam novos mercados compradores e alternativas para manter a produção ativa. Paralelamente, o governo brasileiro trabalha em negociações diplomáticas com Washington para tentar reverter ou atenuar a medida.
A expectativa é que, enquanto o diálogo avança, sejam implementadas estratégias de diversificação das exportações, reduzindo a dependência do mercado norte-americano. Contudo, analistas avaliam que a recuperação pode levar meses, dada a importância dos Estados Unidos como principal destino das rochas ornamentais brasileiras.


