BHP usa mais de 500 mil moléculas e inteligência artificial para revolucionar extração de cobre

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A corrida global por cobre, considerado um dos minerais mais estratégicos para a economia de baixo carbono, está impulsionando uma nova geração de tecnologias na mineração. Em busca de métodos mais eficientes para recuperar o metal, a BHP anunciou uma parceria com a Microsoft e a empresa de tecnologia científica Prescience Insilico para acelerar pesquisas voltadas ao aperfeiçoamento da lixiviação de cobre.

A iniciativa combina inteligência artificial, computação avançada e modelagem científica para reduzir o tempo necessário na descoberta de novas soluções químicas capazes de aumentar o aproveitamento do minério. O movimento ocorre em um momento de forte expansão da demanda mundial por cobre, impulsionada pelo crescimento dos veículos elétricos, da infraestrutura digital e dos sistemas de inteligência artificial.

Inteligência artificial acelera pesquisas sobre cobre

A lixiviação é uma das técnicas utilizadas para recuperar metais presentes em minérios e consiste na aplicação de soluções químicas capazes de dissolver os elementos de interesse. Embora amplamente empregada pela indústria, a busca por reagentes mais eficientes costuma exigir anos de pesquisas e milhares de testes laboratoriais.

Para encurtar esse processo, a BHP passou a utilizar uma plataforma desenvolvida pela Microsoft que integra recursos de inteligência artificial, computação de alto desempenho e simulações científicas. O sistema permite avaliar um volume gigantesco de possibilidades químicas em uma velocidade muito superior à dos métodos convencionais.

Segundo Aseem Datar, vice-presidente corporativo de Inovação de Produtos do Microsoft Discovery, “Como a primeira parceira de mineração no Microsoft Discovery, a BHP está na vanguarda da exploração de como a computação avançada e os recursos científicos podem ajudar a enfrentar desafios complexos do setor.”

Mais de 500 mil moléculas foram avaliadas

O projeto alcançou uma escala pouco comum em pesquisas tradicionais. As equipes envolvidas examinaram mais de meio milhão de moléculas e realizaram dezenas de milhares de cálculos de química quântica para identificar compostos com potencial de melhorar a recuperação do cobre.

Após a triagem digital, apenas um grupo reduzido de moléculas foi selecionado para testes físicos em laboratório na Austrália. O objetivo é validar os resultados encontrados pelas simulações e verificar sua aplicação prática em operações reais de mineração.

De acordo com Jessica Farrell, vice-presidente de Inovação da BHP, “essa parceria forneceu aos nossos especialistas técnicos as ferramentas necessárias para reduzir um campo quase infinito de possibilidades a um pequeno número de opções que poderão um dia ser implementadas em nossas operações globais de cobre”.

Além do ganho de produtividade, a iniciativa também busca avanços ambientais. Entre as metas estão o desenvolvimento de soluções menos tóxicas, a redução dos impactos associados aos processos de extração e o aumento das taxas de recuperação do minério com custos operacionais mais competitivos.

O projeto reforça uma tendência crescente na mineração mundial, onde a combinação entre inteligência artificial e pesquisa científica vem sendo utilizada para acelerar descobertas e enfrentar desafios relacionados à oferta de minerais essenciais para a transição energética.

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