O desaparecimento de uma antiga ponte metálica em Minas Gerais mobilizou autoridades estaduais e federais e levantou uma série de questionamentos sobre a retirada e o transporte da estrutura. Considerada parte do patrimônio histórico de Prados, na região Central do estado, a peça foi encontrada dias depois em outro município, localizado a cerca de 180 quilômetros de distância.
O caso envolve uma estrutura centenária de origem inglesa e agora é alvo de investigações conduzidas por diferentes órgãos para esclarecer como ocorreu a remoção do bem e quem participou da negociação que resultou em sua transferência.
Ponte histórica saiu de área rural e foi localizada em projeto ambiental
A estrutura, com aproximadamente 20 metros de comprimento e cinco metros de largura, desapareceu de uma comunidade rural entre os dias 5 e 8 de junho. Pouco tempo depois, foi localizada em uma propriedade ligada ao Ibiti Projeto, empreendimento voltado ao turismo e à conservação ambiental situado na região de Ibitipoca, no município de Lima Duarte.
De acordo com informações apuradas pelas autoridades, a ponte teria sido adquirida por R$ 700 mil. Documentos apresentados durante a investigação incluem nota fiscal referente à negociação.
Construída na Inglaterra no século XIX, a estrutura foi trazida para o Brasil na década de 1880 e integrou a antiga malha ferroviária nacional. Mesmo sem utilização ferroviária atualmente, ela era considerada um patrimônio de valor histórico para o município de Prados.
Segundo o empreendimento onde a ponte foi encontrada, a aquisição ocorreu de forma regular junto a um comerciante especializado em antiguidades. Em nota, o grupo informou que apresentou toda a documentação disponível às autoridades assim que surgiram questionamentos sobre a origem da peça.
Investigação busca esclarecer retirada e transporte da estrutura
Apesar da localização da ponte e da existência de documentos relacionados à compra, ainda permanecem dúvidas consideradas fundamentais para o andamento do caso.
Entre os principais pontos investigados está a forma como a estrutura foi retirada da área onde permanecia instalada. Levantamentos iniciais indicam que equipamentos pesados teriam sido utilizados na operação. Marcas compatíveis com a movimentação de retroescavadeiras e caminhões de grande porte foram identificadas no local.
Outro aspecto que chama atenção dos investigadores é a logística necessária para transportar uma estrutura metálica de grandes dimensões por aproximadamente 180 quilômetros até a região da Zona da Mata mineira.
Relatórios também apontam que acessos próximos ao local teriam sido bloqueados com terra, o que pode ter dificultado a circulação de veículos e a identificação da movimentação durante a retirada da ponte.
Diante da complexidade do caso, a Polícia Civil, a Polícia Federal e o Ministério Público de Minas Gerais atuam em conjunto para identificar os responsáveis pela remoção da estrutura, esclarecer as circunstâncias da negociação e determinar se houve irregularidades no processo que levou o patrimônio histórico até o novo destino.


