Operação Rejeito: quem são os alvos envolvidos no desvio de R$ 1,5 bilhão em fraudes na mineração?

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A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira (17), a Operação Rejeito, uma ação que teve um impacto significativo no combate a um esquema de fraudes envolvendo mais de 40 empresas no setor de mineração em Minas Gerais. A operação resultou na prisão de 22 pessoas, incluindo líderes de uma organização criminosa especializada em fraudar licenciamentos ambientais, e no cumprimento de 79 mandados de busca e apreensão. O valor movimentado pelas empresas envolvidas já ultrapassa R$ 1,5 bilhão, com projetos com potencial econômico superior a R$ 18 bilhões em andamento.

Operação Rejeito: esquema fraudulento e seus protagonistas

A investigação na Operação Rejeito revela uma rede complexa de atores, incluindo diretores de empresas, lobistas e até servidores públicos de órgãos reguladores. O núcleo central da organização criminosa era formado por três figuras-chave: Alan Cavalcante do Nascimento, coordenador geral da operação; João Alberto Paixão Lages, diretor de relações interinstitucionais; e Helder Adriano de Freitas, diretor operacional. Eles eram os responsáveis por orquestrar o esquema de fraudes no licenciamento ambiental, beneficiando empresas de mineração de forma ilegal.

Além deles, foram identificados operadores financeiros que facilitavam a movimentação de valores dentro do esquema, como Felipe Lombardi Martins, apelidado de “O homem da mala”, e Jamis Prado de Oliveira Junior, responsável por gerir empresas de fachada. A operação também incluiu a prisão de Gilberto Henrique Horta de Carvalho, um lobista que atuava na articulação política para garantir apoio aos envolvidos no esquema.

A Operação Rejeito também expôs o papel de agentes públicos nos esquemas de corrupção. Entre os alvos estavam altos funcionários da Agência Nacional de Mineração (ANM) e da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), como o diretor da ANM Caio Mário Trivellato Seabra Filho e o presidente da FEAM Rodrigo Gonçalves Franco, além de outros membros que colaboravam diretamente na liberação ilegal de licenças ambientais. O envolvimento de servidores de instituições como o IBAMA também foi destacado pela investigação.

Impacto nas empresas envolvidas

Diversas empresas de mineração foram identificadas como participantes do esquema, com destaque para grandes holdings e mineradoras, como a Minerar Participações S.A. e a Fleurs Global Mineração Ltda., que movimentaram bilhões de reais e estavam com atividades suspensas após o bloqueio judicial. Outras empresas de consultoria ambiental, como a Delacult Consultoria e Arquitetura Ltda., também foram envolvidas no processo, tendo seus bens bloqueados pela justiça.

Entre as empresas de mineração atingidas, algumas estavam operando com projetos de grande porte que impactam diretamente o meio ambiente e a economia local. As investigações continuam, e mais prisões e apreensões podem ser realizadas nos próximos dias.

A Operação Rejeito trouxe à tona a gravidade das fraudes no licenciamento ambiental, que afetam diretamente a preservação dos recursos naturais e comprometem a integridade dos processos de licenciamento de atividades econômicas no Brasil. A Polícia Federal segue com as investigações, com o objetivo de desarticular totalmente o grupo e prevenir a continuidade das operações ilegais.

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