A dependência econômica da mineração pode se tornar um desafio crescente para municípios do interior de Minas Gerais. Um levantamento recente sobre os chamados “empregos do futuro” aponta que cidades fortemente ligadas à atividade mineral e siderúrgica correm o risco de enfrentar perdas relevantes de renda e postos de trabalho caso não avancem na diversificação econômica.
Mineração em Minas Gerais exige diversificação para evitar crise econômica

Em entrevista exclusiva ao Cidades & Minerais, o diretor-executivo da Agenda Pública, Sergio Andrade, detalhou os principais pontos de atenção revelados pelo estudo.
O levantamento mostra que, em cidades como Ouro Preto, a mineração responde por mais de um terço da massa salarial, ampliando a exposição a oscilações do setor. “O principal risco é a vulnerabilidade estrutural decorrente da concentração econômica focada em uma única atividade. Municípios dependentes da mineração ficam mais expostos à volatilidade de preços internacionais, à exaustão de recursos e a mudanças tecnológicas ou regulatórias do setor.”
Segundo ele, a ausência de alternativas econômicas pode gerar efeitos significativos. “Sem diversificação, isso pode resultar em queda brusca de arrecadação, retração do emprego e aumento da desigualdade social.” O estudo também chama atenção para um paradoxo: mesmo em locais com salários elevados, ainda há níveis relevantes de pobreza, evidenciando falhas na distribuição de oportunidades.
Na avaliação do especialista, o caminho passa por integrar a mineração a uma estratégia mais ampla de desenvolvimento. “O equilíbrio passa por reposicionar a mineração dentro de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento, e não substituí-la abruptamente.” Ele defende o fortalecimento de atividades complementares, como turismo, serviços especializados e cadeias produtivas ligadas ao próprio setor mineral.
A pesquisa também indica que municípios com melhor gestão pública conseguem resultados mais consistentes, transformando receitas em infraestrutura e serviços. Entre as ações mais eficazes estão o planejamento de longo prazo, o uso de dados na administração e o incentivo à diversificação produtiva.
Outro ponto destacado na entrevista é o papel da juventude na construção desse novo cenário. Para sustentar a transição econômica, será necessário ampliar o acesso à qualificação profissional e alinhar a formação às demandas do mercado. “Também é fundamental integrar políticas de educação, proteção social e desenvolvimento econômico, garantindo que os jovens tenham condições reais de acessar essas oportunidades.”
O setor privado, especialmente empresas de mineração e siderurgia, também é visto como protagonista nesse processo. “As empresas têm papel estratégico na construção de uma transição econômica mais sustentável”, afirmou Andrade, ao destacar iniciativas como apoio a fornecedores locais, investimentos em capacitação e alinhamento com políticas públicas.
Nesse contexto, iniciativas como a Plataforma de Transição Justa atuam para apoiar regiões dependentes de atividades intensivas em carbono, promovendo estratégias de diversificação e fortalecimento da economia local.
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