A produção de aço bruto em Minas Gerais registrou alta de 0,4% em outubro deste ano, alcançando 924 mil toneladas em comparação ao mesmo mês de 2024. Os dados foram divulgados pelo Instituto Aço Brasil (IABr) e confirmam a liderança mineira no setor. No cenário nacional, porém, o desempenho foi negativo: a produção totalizou 2,99 milhões de toneladas, retração de 2,7%.
No acumulado dos dez primeiros meses de 2025, Minas Gerais produziu 8,54 milhões de toneladas de aço bruto, volume 0,8% menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o Estado manteve a primeira colocação na produção nacional, com participação de 30,5%. O Rio de Janeiro aparece logo atrás, com 26,7%, tanto na comparação mensal quanto na acumulada.
Produção exportada impulsiona crescimento dos embarques
O desempenho do mercado interno, entretanto, continua fraco. As vendas internas da siderurgia brasileira chegaram a 1,81 milhão de toneladas em outubro, queda de 6,5% frente ao mesmo intervalo de 2024. Entre janeiro e outubro, foram comercializadas 17,86 milhões de toneladas, leve recuo de 0,3%. Esses números desconsideram as transações internas entre usinas do próprio setor.
Se o mercado doméstico enfraquece, o externo se mostra mais aquecido. As exportações de aço brasileiro avançaram 28,1% em outubro, atingindo 907 mil toneladas. No acumulado do ano, o crescimento foi de 4,6%, com 8,74 milhões de toneladas exportadas. O IABr ressalta, contudo, que parte do volume mensal refere-se a operações com embarque antecipado, o que pode gerar ajustes nas próximas divulgações.
Para o analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, o desempenho confirma a fragilidade da demanda interna. Segundo ele, as usinas ampliam os embarques para evitar o acúmulo de estoques. Entre os principais destinos, os Estados Unidos se destacaram com aumento de 17% nas compras em outubro, chegando a 352,2 mil toneladas. No acumulado do ano, as aquisições norte-americanas somaram 5,49 milhões de toneladas, alta de 8,5% — mesmo após a imposição de uma tarifa adicional de 50% em junho. Esses números incluem também o aço enviado ao México via portos dos EUA.
O conjunto de resultados mostra um cenário de contrastes: enquanto a produção mineira avança e o setor mantém competitividade internacional, o mercado interno segue em ritmo lento, pressionando as estratégias da indústria siderúrgica no país.


