Projeto de Lei sobre Minerodutos em Minas gera debate acirrado sobre impactos ambientais e abastecimento hídrico

Publicado em

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) promoveu uma audiência pública para discutir o Projeto de Lei 3.402/25, da deputada estadual Carol Caram (Avante). A proposta visa estabelecer diretrizes e restrições rigorosas ao licenciamento de minerodutos, especialmente na região do Sistema Paraopeba, responsável pelo abastecimento de água para a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Proposta e os impactos no abastecimento hídrico

O PL 3.402/25 busca impor limitações à utilização de minerodutos no transporte de minério em áreas estratégicas, como a do Sistema Paraopeba. Esses dutos, que demandam grandes volumes de água para o escoamento do minério, já têm sido foco de críticas, principalmente pela sua alta dependência de recursos hídricos em regiões sensíveis.

Durante a audiência, a deputada Carol Caram ressaltou que acidentes já registrados em Minas Gerais, provocados por falhas em minerodutos, afetaram o abastecimento de água de diversas localidades. “Se isso acontecer na Região Metropolitana, serão 3,5 milhões de pessoas afetadas”, alertou Caram, destacando a gravidade do impacto que uma falha nesse tipo de infraestrutura poderia causar.

Consumo hídrico elevado e a pressão sobre os recursos naturais

De acordo com os dados apresentados pela geóloga Daniela Cordeiro durante a audiência, os minerodutos consomem, em média, 122 litros de água por tonelada de minério transportada. Esse alto consumo tem gerado preocupações sobre a pressão exercida sobre os aquíferos da região, incluindo o já sobrecarregado aquífero Cauê.

Fernando de Paula, da Associação Ambiental e Cultural Zeladoria do Planeta, também destacou que, além da perda de recursos hídricos no transporte, a água utilizada pelos minerodutos não pode ser reutilizada para consumo humano. Esse desperdício e a contaminação da água representam sérios riscos para as comunidades locais, que dependem desses recursos para suas atividades cotidianas.

Divergências sobre o minerodutos e soluções para o futuro

A audiência foi marcada por intensas divergências entre representantes das mineradoras, técnicos ambientais e parlamentares, com foco na comparação entre os modelos de escoamento de minério. As mineradoras defendem a recirculação da água, mas o representante da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), Arthur Ferreira Delfim, refutou essa argumentação, afirmando que nenhum sistema permite o reaproveitamento total da água e que, quando recirculada, ela permanece contaminada, não podendo ser utilizada para consumo humano.

O debate sobre o PL 3.402/25 ainda está em andamento e deve continuar a considerar essas divergências de forma técnica, transparente e responsável. A proposta busca soluções que minimizem o impacto hídrico, adotando modelos de escoamento mais eficientes, seguros e sustentáveis, alinhados às necessidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, sem comprometer os recursos hídricos essenciais para a vida da população local.

Matérias Relacionadas

Quase seis anos após retomada, Samarco registra maior volume trimestral de produção

A Samarco encerrou o terceiro trimestre de 2026 com produção de 4,3 milhões de...

AngloGold Ashanti conquista primeiro lugar em prêmio nacional de boas práticas na mineração

AngloGold Ashanti vence prêmio do IBRAM após 18 meses de testes com carregadeira elétrica em mina subterrânea, avanço na estratégia de descarbonização da mineração brasileira

Gerdau fica entre as 300 melhores empresas do mundo para trabalhar em ranking da Forbes

Gerdau alcança a 274ª posição no ranking global da Forbes de melhores empresas para trabalhar em 2026 e é a única siderúrgica brasileira da lista

Mulher usa pedra de âmbar como peso de porta por décadas e descoberta é avaliada em € 1 milhão

Uma pepita de âmbar de 3,5 quilos, usada como peso de porta por décadas na Romênia, foi avaliada em cerca de 1 milhão de euros e virou tesouro nacional

últimas Matérias

Mineração Rio do Norte investe em linha de transmissão de 98 km para reduzir emissões em 90% no Pará

Mineração Rio do Norte implanta linha de transmissão de 98 km em Oriximiná, no Pará, com expectativa de reduzir em 90% as emissões associadas à geração de energia.

Hydro já usou 279 mil toneladas de caroço de açaí para substituir carvão na Alunorte

Hydro já utilizou 279 mil toneladas de caroço de açaí na Alunorte e avança no uso da biomassa para reduzir o consumo de carvão mineral.

Mineradora australiana encontra concentração de terras raras acima das expectativas em Poços de Caldas

Adquirido por R$ 80 milhões, projeto em Minas Gerais apresenta resultados promissores, mas avanço para exploração comercial ainda depende de estudos técnicos e licenciamento ambiental

Reparação do Rio Doce soma R$ 82,6 bilhões desde 2015; Samarco apresenta balanço de indenizações e obras

Perto de completar dois anos, Novo Acordo registra mais de 648 mil pessoas indenizadas desde a tragédia, reconstrução de distritos em Mariana e avanços ambientais, mas ainda reúne compromissos a serem cumpridos