A EuroChem analisa mudanças no ritmo de produção de sua unidade de fertilizantes em Minas Gerais diante do aumento dos custos e das dificuldades para obter matéria-prima no mercado internacional. Entre as possibilidades avaliadas está uma redução das atividades da fábrica e a suspensão temporária dos contratos de aproximadamente 600 trabalhadores a partir de setembro.
O cenário coloca pressão sobre uma operação considerada estratégica para o abastecimento nacional de fertilizantes fosfatados. A unidade de Salitre tem capacidade para produzir cerca de 1 milhão de toneladas por ano e integra uma estrutura que recebeu investimentos estimados em US$ 1 bilhão.
EuroChem enfrenta restrições no fornecimento de insumos
A unidade mineira possui estoque suficiente para manter a operação em ritmo habitual até setembro, caso o fluxo internacional de matérias-primas não seja normalizado. A fábrica conta atualmente com cerca de 1.100 empregados diretos, o que significa que uma eventual redução das atividades poderia atingir uma parcela expressiva do quadro de trabalhadores.
Um dos principais pontos de preocupação é o fornecimento de enxofre, utilizado na fabricação de ácido sulfúrico. Esse composto é necessário para o processamento da rocha fosfática e, sem uma reposição regular, a cadeia produtiva pode sofrer interrupções.
A possibilidade de uma paralisação temporária também preocupa pelo impacto sobre a oferta doméstica de fertilizantes. O funcionamento da unidade de Salitre é considerado relevante para os esforços do país de ampliar a produção nacional e diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros.
Falta de matéria-prima ameaça continuidade da produção
Caso o abastecimento externo não seja restabelecido, as plantas químicas do complexo poderão enfrentar períodos de interrupção que podem chegar a três meses. O cenário vem sendo acompanhado por representantes e especialistas do setor, diante dos possíveis efeitos sobre a cadeia de nutrição vegetal.
A EuroChem confirmou a existência de dificuldades relevantes na cadeia internacional de suprimentos, mas informou que nenhuma decisão sobre paralisação ou suspensão de contratos foi formalizada até agora.
A empresa busca alternativas para garantir novas fontes e rotas de fornecimento do insumo, enquanto mantém conversas com o Governo Federal e entidades ligadas ao setor. O episódio evidencia os desafios enfrentados pela indústria brasileira de fertilizantes diante das oscilações de preços e da dependência de matérias-primas importadas.


