O que se espera de um curso de excelência? Uma boa estrutura, professores de alto nível, metodologias de ensino atualizadas… a Medicina da Funcesi, no entanto, vai além. Iniciada em meados de 2023, a graduação também tem se destacado pelo rápido impacto social na região.
Realizadas em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), boa parte das atividades práticas dos seus quase 300 estudantes de medicina extrapolam a sala de aula e atingem, diretamente, a população. Supervisionados por experientes profissionais tanto da Funcesi quanto da rede pública, os acadêmicos entregam à sociedade todo o conhecimento adquirido no curso, avaliado com nota máxima pelo Ministério da Educação (MEC).
Um dos recentes locais da atuação supervisionada dos estudantes foi a Policlínica Municipal de Itabira, na qual realizaram serviços de pediatria em 2025. Naquele período, foram promovidos, no total, 578 atendimentos. Destaque também para a abordagem feita na creche do Combem (Conselho Municipal do Bem Estar do Menor de Itabira), no mesmo ano, que envolveu aproximadamente 70 crianças.
Em 2026, uma nova forma de apoio à rede de saúde foi criada no primeiro semestre. Por meio da Clínica Integrada Revigorar da Funcesi, alunos e docentes passaram a realizar atendimentos em Pediatria e Clínica Geral.
Os números são expressivos: entre fevereiro e julho, das 2928 vagas disponibilizadas nos dois serviços, 2519 delas, ou seja, 86%, foram preenchidas. Já no segundo e atual semestre, foi incluída na clínica a especialidade Ginecologia e Obstetrícia.
Em agosto, por sua vez, foi iniciada uma parceria com o Ciscel (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Centro Leste). Ao lado de nomes já consolidados na área, os acadêmicos realizaram, durante todo o mês, 122 intervenções no consórcio, sendo 88 consultas e 34 pequenas cirurgias.
Ademais, os estudantes também realizam atividades nas unidades básicas de saúde (UBSs) dos bairros Pedreira, Gabiroba e Fênix.
Antes disso, logo nos primeiros períodos, participam de aulas nos dois hospitais do município, etapa na qual ainda não exercem a prática, mas iniciam seus contatos com os pacientes.
Presidente da Funcesi, Maurício Mendes destaca que a integração entre academia e comunidade oferece benefícios para os dois lados.
“Essa análise é importante sob dois prismas. Primeiro, pela formação dos nossos alunos, que precisam colocar na prática todos os ensinamentos adquiridos na formação escolar. Para isso, temos médicos especialistas e excelentes profissionais para orientar a formação desses discentes. Segundo ponto: estamos colaborando enormemente para o atendimento à saúde da população de Itabira e região. São números significativos nos atendimentos na Pediatria, Clínica Médica e agora com Saúde da Mulher e Pequenas Cirurgias”, avalia.
Quem segue uma linha de pensamento semelhante é Shirlei Pereira, pró-reitora do centro universitário itabirano.
“Quando os nossos acadêmicos ocupam diferentes espaços de cuidado, eles aprendem juntamente com a comunidade e, ao mesmo tempo, colocam o conhecimento acadêmico a serviço dela. Essa troca transforma todos os envolvidos: beneficia a população, colabora com a rede pública e torna a formação médica mais humana, consciente e conectada com as reais necessidades de Itabira e região”.
Já Wenderson Andrade, coordenador da graduação, salienta que tal método de ensino está totalmente alinhado às atuais diretrizes curriculares da Medicina. Ele detalha como funciona o processo de ensino.
“Desde os dois primeiros anos de curso, os estudantes já começam a ter contato com os pacientes nas UBSs e na Semiologia. É neste momento que eles começam a ter o contato inicial, entendendo a anamnese, o exame físico, a parte observacional e a semiologia da saúde da criança. Depois, já no ciclo clínico, iniciado no quinto período, eles realmente começam a atender. E isso vai progredindo em grau de complexidade e de intensidade, até que eles chegam no nono período e vão diretamente para a prática em serviço”, ressalta.
Um novo olhar
Um dos discentes envolvidos nos atendimentos é o João Carlos Horta, do 7º período. O discente explica como a prática abre novas possibilidades de aprendizado para ele e seus colegas.
“Acho que as atividades práticas mudam muito a nossa forma de enxergar a Medicina. É quando a gente começa a colocar em prática aquilo que aprende em sala e, principalmente, passa a ter um contato mais próximo com o paciente. E é nesse contato que a gente percebe a importância da empatia, da humanização e da construção de um vínculo terapêutico. Para mim, isso tem sido uma parte muito importante da formação, porque estamos aprendendo não só a cuidar de uma doença, mas a olhar e ouvir a pessoa que está ali com a gente”, enfatiza.
João Carlos também destaca o importante apoio dos professores durante o processo.
“Ter um docente por perto para orientar, discutir um caso, corrigir quando necessário e também dividir um pouco da experiência que ele já viveu na Medicina nos dá mais segurança. Acho que essa proximidade ajuda muito no nosso crescimento e também na forma como vamos nos tornando médicos”, finaliza o estudante.


