Os preços do petróleo subiram US$ 1 por barril nesta segunda-feira (5), com os operadores avaliando o possível impacto sobre os fluxos de petróleo da Venezuela, que abriga as maiores reservas de petróleo do mundo, após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$ 1,01, ou 1,66%, a US$ 61,76 por barril. O petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos subiu US$ 1, ou 1,74%, para US$ 58,32.
Ambos os índices de referência subiram mais de US$ 1 nas negociações no fim da manhã desta segunda (05), depois de terem caído mais de US$ 1 mais cedo em uma sessão agitada, com os investidores digerindo as notícias da captura de Maduro e de que Washington assumiria o controle do membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), cujas exportações de petróleo estavam sob um embargo dos EUA que permanece em vigor.
Analistas apontam incerteza sobre fluxos de petróleo
“A incógnita para o mercado de petróleo é como os fluxos de petróleo da Venezuela mudarão devido a ações dos EUA”, disseram os analistas da Aegis Hedging em uma nota.
O governo Trump não consultou as empresas petrolíferas Exxon Mobil ConocoPhillips ou Chevron sobre a Venezuela antes ou depois que as forças dos EUA capturaram Maduro, de acordo com quatro executivos do setor petrolífero familiarizados com o assunto, mas as reuniões agora estão planejadas para o fim desta semana.
“Não acho que você verá outra empresa além da Chevron, que já está lá, você sabe, se comprometer a desenvolver esse recurso”, disse um dos executivos.
A produção venezuelana de petróleo despencou nas últimas décadas, restringida pela má administração e pela falta de investimento estrangeiro após a nacionalização das operações petrolíferas nos anos 2000. A produção média foi de cerca de 1 milhão de barris por dia no ano passado, o que equivale a cerca de 1% da produção global.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, se ofereceu no domingo (4) para cooperar com os EUA.
“Espero que o ataque naval e o bloqueio sejam suspensos e, por fim, que as sanções sejam suspensas, permitindo que grande parte, se não todo, o petróleo venezuelano preso no mar e no armazenamento alfandegado seja disponibilizado para o mercado”, disse Simon Wong, gerente de portfólio da Gabelli Funds, acrescentando que levará algum tempo para que a Venezuela aumente a produção.


