O Congresso da Argentina aprovou na quinta-feira (9) uma reforma legislativa que pode ampliar investimentos em mineração em áreas glaciais, reacendendo debates sobre os limites entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
A proposta, apoiada pelo governo do presidente Javier Milei, recebeu 137 votos favoráveis, 111 contrários e 3 abstenções na Câmara dos Deputados. Com a aprovação, o texto segue para promulgação e passa a valer após publicação oficial.
Mudança na mineração em áreas glaciais transfere poder de decisão às províncias
Um dos principais pontos da reforma da mineração em áreas glaciais é a descentralização das regras ambientais, permitindo que cada província estabeleça seus próprios critérios de proteção para áreas glaciais e periglaciais.
A medida é vista por setores do governo como uma forma de estimular novos projetos minerários e atrair investimentos para regiões de grande potencial econômico. No entanto, especialistas alertam que a flexibilização pode comprometer a integridade de formações de gelo em grandes altitudes, consideradas reservas estratégicas de água doce.
Críticas envolvem riscos ambientais e restrição de participação
A proposta da mineração em áreas glaciais gerou forte reação de ambientalistas, cientistas e parlamentares da oposição, que apontam riscos à segurança hídrica e ao equilíbrio ambiental. Outro ponto de tensão envolve o processo de debate público da medida.
Segundo críticos, houve limitação na participação popular durante as audiências, com a liberação de manifestação para apenas uma pequena parcela dos mais de 100 mil inscritos — cerca de 0,3% do total.
O tema segue gerando repercussão no país, com expectativa de novos desdobramentos à medida que a legislação entra em vigor e seus impactos começam a ser avaliados.


