A Usiminas anunciou o início das obras para implantação de uma nova coqueria em sua unidade de Ipatinga, no Vale do Aço. O projeto receberá investimento de R$ 1,7 bilhão e faz parte de um ciclo de aportes de aproximadamente R$ 3 bilhões previstos até 2029 para a modernização da planta e a reconstrução completa do Alto-Forno 3.
O anúncio foi feito pelo CEO da Usiminas, Marcelo Chara, durante o Congresso Aço Brasil, realizado em São Paulo. Segundo o executivo, a nova estrutura permitirá à companhia ampliar a produção própria de coque, insumo utilizado na alimentação do alto-forno, reduzindo a dependência de importações.
Investimento e produção local
A expectativa da empresa é melhorar o balanço energético da unidade, reduzir custos e ampliar a competitividade da operação em Ipatinga. Chara destacou ainda o potencial do investimento para gerar empregos e movimentar fornecedores e outros segmentos da cadeia produtiva local.
Com a nova coqueria, a siderúrgica pretende substituir parte do coque atualmente importado pela produção própria. Segundo Chara, o investimento reforça a estratégia da companhia de fortalecer sua produção no Brasil.
Pressão das importações
Durante o evento, o executivo também chamou atenção para o crescimento das importações de aço e de produtos manufaturados com elevado conteúdo siderúrgico.
Segundo estimativas apresentadas por Chara, a entrada desses produtos deve superar 7 milhões de toneladas neste ano. Somadas às mais de 4 milhões de toneladas de aço bruto importado, a pressão sobre o mercado brasileiro ultrapassaria 11 milhões de toneladas.
O CEO afirmou que medidas como mecanismos antidumping e o sistema de cota-tarifa contribuíram para reduzir a participação das importações diretas de aço bruto no acumulado do ano, de 23% para 18%.
Veículos importados entram no debate
O setor automotivo também foi citado como uma das principais preocupações da siderúrgica. Segundo Chara, a previsão é de que a entrada de veículos importados no Brasil se aproxime de 1 milhão de unidades neste ano, o equivalente a cerca de 30% do mercado nacional.
Na avaliação do executivo, a importação de veículos e outros produtos manufaturados reduz a demanda por matérias-primas produzidas pela indústria brasileira e afeta diferentes elos da cadeia produtiva.
“Estamos importando trabalho que chega da China e de outros terceiros países que começam a crescer também. Importar um carro no país anula de oito a dez empregos de toda a cadeia de valor”, afirmou.
Usiminas defende novas medidas
Chara defendeu políticas industriais voltadas ao aumento do conteúdo local e novas medidas para equilibrar a concorrência entre produtos nacionais e importados.
O executivo também avaliou positivamente a discussão sobre o chamado “Pró-Aço”, citado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e defendeu que o debate resulte em ações direcionadas ao setor siderúrgico e à indústria nacional.


