Uberlândia entra na rota das terras raras com projeto de R$ 2 bilhões e capacidade de 50 mil toneladas por ano

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Uma área industrial de mais de 500 mil metros quadrados em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, poderá receber um empreendimento estimado em R$ 2 bilhões voltado ao processamento de terras raras. A proposta, firmada entre a australiana St George Mining e o Grupo Lima & Pergher, controlador da Start Química, prevê a criação de um centro com capacidade projetada de aproximadamente 50 mil toneladas de carbonato por ano e potencial para gerar cerca de 500 empregos.

O projeto foi formalizado em 26 de agosto, durante a Exposibram, em Belo Horizonte, por meio de um protocolo de intenções. Ainda não há decisão final de investimento: a iniciativa depende de estudos técnicos e econômicos, licenciamento ambiental, definição da estrutura societária e aprovação dos sócios. A operação é projetada preliminarmente para 2030.

Araxá e Uberlândia podem formar uma cadeia integrada

A proposta pode aproximar duas pontas estratégicas da cadeia de terras raras em Minas Gerais.

Em Araxá, a St George Mining desenvolve um projeto de nióbio e terras raras que poderá produzir aproximadamente 30 mil toneladas anuais de carbonato de terras raras, com expectativa de início da operação comercial em 2029.

Esse material poderá ser transportado para Uberlândia, onde seria submetido a processos químicos de separação e transformação.

A lógica é fazer com que parte maior do processamento permaneça em Minas Gerais, reduzindo a dependência de estruturas externas para transformar o mineral extraído em produtos de maior valor agregado.

O gargalo está depois da mineração

O Brasil possui recursos relevantes de terras raras, mas ainda enfrenta dificuldades para avançar nas etapas industriais que vêm depois da extração.

Entre a retirada do minério e a fabricação de produtos de alta tecnologia existe uma cadeia que envolve beneficiamento, concentração, separação química, refino e produção de materiais específicos.

O futuro centro de Uberlândia pretende ocupar justamente uma dessas etapas.

A unidade poderá produzir inicialmente óxidos de elementos como lantânio e cério, além de materiais magnéticos e elementos pesados de maior valor. Em etapas posteriores, esses produtos poderão abastecer fabricantes de ímãs, consumidores industriais ou mercados internacionais.

Essa mudança é relevante porque os materiais produzidos podem entrar em cadeias como veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos, robótica, equipamentos industriais e defesa.

Por que a parceria em Uberlândia chama atenção

O empreendimento não está sendo pensado necessariamente como uma indústria construída do zero.

A estrutura da Start Química, instalada no complexo industrial do Grupo Lima & Pergher, poderá ser utilizada para desenvolver a nova operação. A área tem mais de 500 mil m² e já conta com infraestrutura industrial, energia, acesso logístico, insumos químicos e mão de obra especializada.

A parceria também combina competências diferentes: a St George reúne experiência no desenvolvimento mineral e em terras raras, enquanto a Start possui conhecimento e estrutura na área química e industrial.

As empresas avaliam ainda a criação de uma nova companhia para construir, controlar e operar o centro.

A disputa global por terras raras

O projeto ganha relevância em um momento de disputa internacional pela cadeia de minerais críticos.

A China concentra grande parte do processamento mundial de terras raras, o que levou Estados Unidos, União Europeia, Austrália e outros países a buscar alternativas para diversificar a oferta.

Nesse cenário, abrir novas minas é apenas parte da estratégia. Também é necessário criar capacidade de separação, refino e transformação fora dos principais polos atuais de processamento.

É justamente nesse ponto que o projeto mineiro pretende avançar.

O desafio: transformar anúncio em indústria

Apesar da dimensão anunciada, o empreendimento ainda está em fase inicial.

Os R$ 2 bilhões são uma estimativa, e os percentuais de participação de cada empresa ainda precisam ser definidos. Também será necessário concluir estudos de viabilidade, obter licenças e chegar a uma decisão final de investimento.

Por isso, 2030 deve ser tratado como projeção, e não como data garantida para início da operação.

O governo de Minas, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Invest Minas, participa da articulação do projeto, incluindo apoio em licenciamento, fornecedores e avaliação de possíveis incentivos.

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