A manutenção da tarifa de 40% pelos Estados Unidos sobre café e carne bovina deixou o Brasil — e especialmente Minas Gerais — em desvantagem frente aos principais concorrentes, que tiveram suas taxas zeradas para entrar no mercado norte-americano. A diferença tem causado forte retração nas exportações e preocupação com perda irreversível de espaço comercial.
Impacto direto nas exportações mineiras
No caso da carne bovina, os embarques de Minas Gerais já caíram 93% em volume e faturamento, tornando as vendas aos EUA praticamente inviáveis. No café, as exportações recuaram 11% em valor e 36% em volume entre agosto e outubro.
O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, lembra que a retirada da taxa recíproca de 10% nas importações de diversos países — mantendo os 40% adicionais apenas para o Brasil — agravou ainda mais o cenário.
Queda expressiva nas vendas ao mercado norte-americano
Entre agosto e outubro deste ano, as exportações do agronegócio brasileiro para os EUA caíram de US$ 3 bilhões para US$ 2,1 bilhões, uma retração de 31% em valor e 24% em volume. Minas Gerais, maior exportador de café do país, foi um dos mais afetados.
Um levantamento da Seapa mostra que os embarques mineiros de café para os EUA despencaram de 1 milhão de sacas para 784 mil, enquanto a receita caiu de US$ 342 milhões para US$ 304 milhões.
Cecafé alerta para risco de perda irreversível
O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, explica que todos os concorrentes diretos do Brasil no café — como Colômbia, Honduras, Costa Rica, Etiópia e Quênia — tiveram as tarifas zeradas, ampliando a distância competitiva.
Segundo ele, as exportações brasileiras de café aos EUA caíram 46% em agosto, 52,8% em setembro e 54,4% em outubro. Matos alerta que os compradores americanos já estão se adaptando a novos blends e fornecedores, o que pode tornar o prejuízo permanente.
“A perda de mercado pode ser irrecuperável”, afirma.
Carne bovina: exportações se tornam inviáveis
A situação da carne é igualmente crítica. Entre agosto e outubro, Minas Gerais registrou apenas 623 toneladas embarcadas, somando US$ 3,6 milhões, queda de 93%. A sobretaxa comprometeu totalmente a competitividade mineira.
O secretário Thales Fernandes alerta que o produtor poderá sentir os efeitos em breve:
“Se a tarifa permanecer, o pecuarista vai comprar bezerro caro e vender o boi barato”, diz.
Indústria defende negociação entre governos
O presidente do Sinduscarne-MG, Pedro Braga, reforça que a tarifa de 40% inviabiliza as exportações brasileiras e cria vantagem clara para os países que tiveram isenção. Ele defende um diálogo urgente entre os governos brasileiro e norte-americano.
Apesar do redirecionamento de parte da carne para outros mercados, Braga reconhece que nenhum oferece o mesmo poder de compra dos EUA.
“Precisamos negociar para evitar impactos tanto para os brasileiros quanto para os americanos”, afirma.


