Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (23), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirmou que aposta na intensificação imediata das negociações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos como o principal caminho para reduzir ou modular a nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
A entidade também cobra uma atuação “firme, técnica e coordenada” do governo brasileiro para ampliar as exceções à medida e garantir regras claras para as empresas, evitando o agravamento das barreiras comerciais entre os dois países.
Segundo a coordenadora de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter, o Brasil precisa agir com rapidez, firmeza e capacidade técnica para impedir que a nova cobrança comprometa ainda mais a competitividade da indústria nacional.
“A prioridade deve ser ampliar as exceções, garantir previsibilidade às empresas e construir uma solução negociada que preserve contratos, investimentos e empregos”, afirma.
A Federação destaca que, somada à tarifa adicional de 25% já em vigor, a nova cobrança pode elevar a sobretaxa para 37,5% sobre os produtos atingidos pelas duas medidas.
“Esse cenário aumenta o custo de acesso ao mercado norte-americano e coloca os exportadores brasileiros em desvantagem diante de concorrentes de países submetidos a alíquotas menores”, informa a Fiemg.
Amcham alerta para impacto em cerca de 3 mil produtos brasileiros
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) também manifestou preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar sobretaxas sobre determinadas importações originárias de 60 economias, incluindo a alíquota adicional de 12,5% para o Brasil, resultado da investigação acerca de bens produzidos com trabalho forçado.
Segundo a entidade, a medida deverá atingir aproximadamente três mil produtos brasileiros, o equivalente a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para os Estados Unidos.
A Amcham ressalta que, para 85,3% dessas vendas, cerca de US$ 10,7 bilhões —, os efeitos da nova tarifa serão cumulativos com os 25% anunciados na semana anterior, elevando a sobretaxa para 37,5%.
“Um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais”, reforça a entidade.
De acordo com o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, a nova medida amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras, especialmente em setores que passarão a enfrentar sobretaxas expressivas.
“A reversão desse cenário passa, necessariamente, pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados”, destaca.
A entidade também alerta que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e podem provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros.
Assim como a Fiemg, a Amcham reforça a necessidade de continuidade das negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos como alternativa para reverter as sobretaxas, ampliar a previsibilidade para empresas e investidores e avançar na construção de uma agenda bilateral positiva.
Entenda a nova tarifa
Os Estados Unidos decidiram aplicar uma nova tarifa ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. A sobretaxa de 12,5% foi anunciada nesta quinta-feira (23) e será somada aos 25% já impostos na semana passada, em outra investigação envolvendo produtos brasileiros.
O Brasil integra um grupo de 59 economias atingidas pela medida, cujas tarifas variam entre 10% e 12,5%.
De acordo com um cálculo realizado pela iniciativa Global Trade Alert (GTA), com a soma das duas tarifas, o Brasil passa a ocupar a segunda posição entre os países mais afetados pelo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, ficando atrás apenas da China.


