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Parceria entre Minas e Finlândia ultrapassa € 100 milhões e avança da mineração ao 6G

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A relação entre Minas Gerais e a Finlândia ganha cada vez mais relevância, impulsionada por um fluxo comercial que já supera € 100 milhões anuais. O fortalecimento desses laços consolida o Estado como um dos principais polos de operação de empresas finlandesas na América do Sul, ao mesmo tempo em que amplia o intercâmbio em áreas de pesquisa e inovação — da mineração sustentável ao desenvolvimento do 6G.

Acordo Mercosul-UE deve impulsionar ainda mais as relações

Esse movimento tende a se intensificar com o avanço da agenda comercial a partir do acordo Mercosul-União Europeia, cuja implementação provisória está prevista para 1º de maio deste ano.

O tema foi detalhado pelo embaixador da Finlândia no Brasil, Antti Petteri Kaski, em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio. Segundo ele, o acordo deve facilitar exportações, reduzir tarifas e abrir novas oportunidades comerciais entre os blocos.

Relação estratégica e nichada com protagonismo da tecnologia

Diferente de grandes eixos comerciais como China e Estados Unidos, a relação entre Minas Gerais e Finlândia é considerada mais nichada, com forte protagonismo da tecnologia.

Atualmente, o Estado conta com mais de dez operações finlandesas de destaque, atuando em segmentos como automação, energia, meteorologia, combustíveis renováveis, indústria química, construção de satélites, software e computação.

No Brasil, as parcerias também se concentram em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto Minas Gerais se destaca como o principal mercado na mineração.

Empresas finlandesas fortalecem ecossistema de inovação em Minas

Entre os principais exemplos dessa presença está a Nokia, que desenvolve tecnologias de 6G em parceria com a Universidade de Oulu, na Finlândia, contando com pesquisadores do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em Santa Rita do Sapucaí.

Além dela, outras empresas finlandesas têm atuação relevante no Estado, como a Valmet e a Metso, com forte presença nos setores de mineração e celulose.

Também se destacam a Vaisala, especializada em soluções ambientais e industriais, e a Kone, referência em mobilidade urbana.

Segundo o embaixador, essas empresas atuam em sinergia com grupos mineiros, formando um ecossistema integrado e fortemente associado à inovação.

Mais que comércio: intercâmbio de conhecimento e pesquisa

Apesar da força econômica, a relação entre Minas Gerais e Finlândia vai além do comércio. O intercâmbio tecnológico e científico tem papel central na parceria.

Projetos conjuntos envolvem desenvolvimento de patentes, redes privadas de comunicação e pesquisas avançadas, consolidando uma conexão baseada em conhecimento e inovação.

Acordo é visto como símbolo político global

Em um cenário internacional marcado por tensões comerciais e aumento de tarifas, o acordo entre Mercosul e União Europeia também é visto como um marco político.

A expectativa é que a iniciativa amplie as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, segundo estimativas da ApexBrasil, além de fortalecer a integração econômica entre os blocos.

Para o futuro, a expectativa é ampliar ainda mais as áreas de cooperação, incluindo o desenvolvimento de materiais sustentáveis à base de madeira, capazes de substituir plásticos.

Além disso, a conexão cultural também ganha destaque. Minas Gerais é um dos principais exportadores de café para a Finlândia — país que lidera o consumo per capita da bebida no mundo.

Na música, a Finlândia se destaca pela forte cena de heavy metal, enquanto intercâmbios culturais já ocorreram, como apresentações do compositor Olli Mustonen em Minas Gerais, ao lado da Orquestra Filarmônica.

Perspectiva de futuro: mais integração e troca entre pessoas

A expectativa, segundo o embaixador, é que a relação entre Minas Gerais e Finlândia continue se aprofundando não apenas no comércio, mas também na conexão entre pessoas, estudantes e instituições.

“Podemos avançar ainda mais na cooperação e trabalhar mais juntos, tanto no comércio quanto na aproximação entre as sociedades”, conclui.

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