Uma nova usina da Vale está prestes a entrar em operação no Espírito Santo. Instalada ao lado do Complexo de Tubarão, no município da Serra, a planta de silicato de sódio deverá iniciar ainda este ano a fase de comissionamento, etapa que envolve testes operacionais, ajustes técnicos e preparação para o início das atividades industriais.
A entrada em funcionamento da unidade deverá abrir oportunidades para profissionais especializados. Segundo empresários ligados ao projeto, a planta contará com tecnologia moderna e elevado nível de automação, exigindo mão de obra qualificada, especialmente nas áreas de química, mecânica, elétrica, instrumentação e automação industrial.
A unidade é uma planta química destinada à produção de silicato de sódio, composto amplamente utilizado pela indústria e presente em produtos como sabões, detergentes e diversos insumos químicos.
Produção será destinada às operações da mineradora
No caso da Vale, porém, a finalidade da produção é diferente da aplicação tradicional do produto no mercado. A companhia decidiu investir em uma unidade própria para fabricar o silicato de sódio que será consumido em suas operações, principalmente na produção dos briquetes de minério de ferro.
Os briquetes são produzidos por meio da aglomeração, em baixas temperaturas, de minério de ferro de alta qualidade, utilizando uma solução tecnológica de aglomerantes que garante elevada resistência mecânica ao produto final.
Tecnologia americana será utilizada na unidade
O projeto utiliza tecnologia desenvolvida pela PQ Corporation, conhecida mundialmente como PQ Silicas, empresa norte-americana fundada há mais de 200 anos e considerada uma das líderes globais no fornecimento e fabricação de silicatos, sílicas e produtos derivados.
A companhia possui sede corporativa em Malvern, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Segundo informações obtidas pela reportagem junto a empresários envolvidos no empreendimento, a própria empresa detentora da tecnologia deverá operar a unidade industrial.
Ainda assim, parte dos profissionais necessários para a operação deverá ser contratada no Espírito Santo.
Questionada sobre detalhes do projeto, a Vale informou, por meio de nota, que “está em fase final de implantação de uma planta de silicato na Unidade de Tubarão, no Espírito Santo, voltada à produção de insumo para suas operações. O comissionamento deverá ser iniciado ainda este ano, e a operação ficará a cargo de empresa contratada, em regime de exclusividade para a Vale”.
A reportagem também questionou a mineradora sobre o número de profissionais que serão contratados e os cargos previstos, mas a empresa não divulgou essas informações.
Obra começou em 2023 e mobilizou cerca de mil trabalhadores
A implantação da Planta de Silicato da Vale teve início em 2023, e a conclusão está prevista para o fim deste ano, quando deverá começar o processo de comissionamento da unidade.
A etapa de construção civil foi executada pela Fortes Engenharia entre setembro de 2023 e 2025.
Já as montagens mecânicas, elétricas e de tubulações industriais, incluindo o chamado Silicatoduto — considerado uma linha crítica para o transporte da polpa de silicato entre áreas operacionais da planta — estão sendo realizadas pelo Grupo Estel, com previsão de conclusão também para o fim deste ano.
Após a produção, o material percorrerá aproximadamente três quilômetros por meio do silicatoduto até chegar ao Complexo de Tubarão.
Ao longo das obras, cerca de mil profissionais foram contratados pelas duas empresas capixabas responsáveis pelas etapas de construção e montagem da unidade.
A nova usina possui mais de sete mil metros quadrados de área construída.
O que é o silicato de sódio?
Conhecido popularmente no Brasil como “vidro líquido”, o silicato de sódio é um composto químico inorgânico de baixo custo e elevada versatilidade, amplamente utilizado em diferentes segmentos industriais devido às suas propriedades adesivas, aglutinantes, reguladoras de pH e inibidoras de corrosão.
Entre as principais aplicações do produto no país estão:
- Formulação de sabões em barra, detergentes em pó e detergentes industriais;
- Uso como aditivo químico na engenharia e na construção civil para melhorar propriedades de materiais;
- Produção de colas utilizadas em papéis, papelões ondulados, tubetes e cantoneiras de embalagens, proporcionando maior rigidez e rapidez no processo produtivo;
- Aplicações na indústria de fundição, onde o silicato de sódio líquido é misturado à areia para moldagem de peças metálicas.
No caso da Vale, entretanto, o objetivo é utilizar o composto como insumo estratégico para suas próprias operações, especialmente na produção dos briquetes de minério de ferro.


