De acordo com a FJP, as exportações do estado atingiram a marca histórica de US$ 21,5 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 8,6 bilhões. Apesar do resultado expressivo, o superávit foi ligeiramente inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de US$ 13,4 bilhões. O pesquisador Lucio Barbosa atribui essa diferença ao aumento mais acentuado das importações em relação às exportações.
Barbosa destaca que o desempenho das exportações mineiras está dentro das expectativas iniciais e reflete uma nova realidade pós-pandemia. “Desde o fim da Covid-19, as exportações do Brasil e de Minas mudaram de patamar, com variações significativas nos preços das commodities e um aumento substancial no volume exportado. Atualmente, nossas exportações superam os níveis de 2019”, afirma o pesquisador.
Café Supera Minério de Ferro em Exportações
Um dos destaques da pesquisa é a mudança nas posições das commodities exportadas. Pela primeira vez desde 2010, as vendas de café ultrapassaram as do minério de ferro. Apesar da queda de 8,9% no volume de café exportado em comparação ao mesmo período do ano passado, o valor do produto cresceu impressionantes 61,2%, reflexo da escassez global na oferta.
“Essa combinação entre oferta e demanda tem sido crucial para o aumento dos preços e a mudança nas posições do café e do minério de ferro”, explica Barbosa.
Por outro lado, as vendas de minério de ferro caíram 24,2%, principalmente devido à demanda reduzida da China, maior comprador do produto. Mesmo assim, a commodity continua sendo a segunda mais exportada por Minas Gerais, representando quase metade (49,9%) do valor total das vendas externas do estado.
As exportações de soja também apresentaram queda significativa de 13,4% no valor em comparação com o primeiro semestre de 2024. Já as vendas de ferro-nióbio cresceram 9% em valor e 3,9% em volume. O ouro se destacou com um crescimento robusto: 48,6% em valor e 12,4% em volume.
Principais Parceiros Comerciais
A China mantém-se como o principal destino das exportações mineiras (33,7%), seguida pelos Estados Unidos (11,6%), Argentina (4,7%) e Canadá (4,1%). No que diz respeito às importações, a China também lidera com uma participação de 25,8%, seguida pelos EUA (13,5%) e Argentina (8%).
Barbosa observa que a relação comercial com esses países é consistente nos últimos anos. As exportações para a China são majoritariamente compostas por produtos com menor valor agregado. Em contraste, as vendas para os Estados Unidos incluem produtos siderúrgicos e bens manufaturados mais sofisticados.
Crescimento nas Importações
As importações também mostraram crescimento significativo: máquinas e equipamentos mecânicos aumentaram suas vendas em 24,3%, enquanto produtos químicos orgânicos tiveram um incremento impressionante de 55,4%, impulsionados pela demanda por bifetrin na agricultura.
Minas Gerais Registra Aumento nas Importações de Produtos Farmacêuticos
O setor de produtos farmacêuticos em Minas Gerais encerrou o primeiro semestre de 2025 com um expressivo crescimento de 130,9%, alcançando uma participação de 6,1% nas importações do estado. Este aumento foi especialmente impulsionado pelas compras de outros produtos imunológicos, que avançaram impressionantes 246,3%, originárias principalmente da Alemanha e de Porto Rico.
Segundo análises da Fundação João Pinheiro (FJP), o cenário econômico para Minas Gerais permanece otimista, mesmo diante da expectativa de desaceleração da economia global, com foco especial nas economias da China e dos Estados Unidos. Para o segundo semestre de 2025, a previsão é de estabilidade nos preços das principais commodities exportadas e continuidade no ritmo das importações, o que deve contribuir para a manutenção de um saldo comercial elevado, embora inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
O especialista Barbosa destaca que algumas questões ainda precisam ser abordadas, pois podem impactar os resultados no segundo semestre. Ele menciona as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, cuja implementação está prevista para agosto, concedendo um período de adaptação para os exportadores brasileiros. Mesmo com a aplicação dessas tarifas, Barbosa acredita que os efeitos não serão sentidos na segunda metade do ano.
“Eu acredito que este ano ainda terá um resultado bastante favorável, mesmo com uma aplicação de tarifas maiores sobre os produtos exportados para os Estados Unidos”, afirma.
Além disso, o pesquisador ressalta a posição de Minas Gerais como um dos principais produtores de café do mundo. Essa realidade torna desafiador para os Estados Unidos encontrarem mercados alternativos além do mineiro. Embora possa haver uma redução no consumo de café entre os norte-americanos devido ao aumento dos preços, ele acredita que isso não deverá prejudicar as exportações do estado.


