Minas Gerais se consolida como um polo estratégico para a indústria mineral, com projeções de receber aproximadamente US$ 3,2 bilhões em investimentos focados em minerais críticos entre 2025 e 2029. O levantamento é do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que aponta um montante total de US$ 18,4 bilhões para o Brasil no mesmo período.
O Estado se destaca ainda mais quando se considera o investimento total na mineração brasileira, que soma US$ 68,4 bilhões para o quinquênio. Minas Gerais lidera o ranking nacional com uma previsão de aplicação de US$ 16,5 bilhões, o maior volume entre todas as unidades da Federação.
Cobre e Níquel Lideram Investimentos Nacionais em Minerais Críticos
Embora o Ibram não detalhe as projeções específicas por substância em Minas Gerais, os dados nacionais revelam onde os investimentos estão concentrados. O cobre lidera a lista com US$ 7,3 bilhões, seguido pelo níquel com US$ 3,8 bilhões. Terras-raras somam US$ 2,2 bilhões, enquanto grafita, vanádio e nióbio preveem US$ 1,8 bilhão. Outros minerais importantes incluem bauxita (US$ 1,3 bilhão), lítio (US$ 1,2 bilhão), titânio (US$ 840 milhões) e zinco (US$ 35 milhões).
Vale do Jequitinhonha e Sul de Minas em Destaque
O Vale do Jequitinhonha, no Nordeste mineiro, já atrai intensos olhares das mineradoras. Em fevereiro, o Ibram divulgou que cerca de 78% dos investimentos estimados para o lítio no Brasil são direcionados para essa região. Empresas como a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) e a Sigma Lithium já operam no local, com outras prestes a iniciar suas atividades.
No Sul de Minas Gerais, projetos de terras-raras também estão programados para os próximos anos, com empresas como a Viridis Mining & Minerals e a Meteoric Resources planejando suas operações. Além disso, Minas Gerais detém a liderança nacional nos segmentos de nióbio e grafita.
Brasil Precisa Ampliar Produção de Minerais Estratégicos, Alerta Ibram
Apesar do crescimento expressivo, os minerais críticos ainda representam uma parcela modesta no faturamento e nas exportações da mineração brasileira. No primeiro semestre deste ano, o faturamento com minerais críticos atingiu R$ 21,6 bilhões, um aumento de 41,6% em relação ao mesmo período de 2024. As exportações somaram US$ 3,64 bilhões, com um avanço de 5,2%. No entanto, esses materiais responderam por apenas 15,5% do faturamento total do setor e 18,1% das vendas externas em valor.
Diante deste cenário, o Ibram reforça a necessidade de o Brasil expandir sua produção de minerais críticos e estratégicos (MCEs). Segundo a entidade, esses materiais são de interesse prioritário para diversas nações e representam uma vantagem competitiva para o país atrair parceiros comerciais e investidores internacionais. A implantação de cadeias produtivas e o processamento industrial para agregar valor aos minérios são vistos como essenciais.
Política Nacional para Minerais Críticos em Debate
O diretor-presidente do Ibram, Raul Jungmann, destacou que o país está em vias de aprovar uma política pública focada no segmento. “Há uma previsão para este semestre de um decreto estabelecendo a política nacional para minerais críticos e estratégicos. As equipes do Ibram e do Ministério de Minas e Energia estão colaborando e isso deve sair em breve para ser submetido ao presidente Lula”, informou.


