Minas Gerais encerrou outubro com a perda de 4.802 empregos formais, interrompendo a sequência positiva que vinha desde o início de 2025. Os dados, divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostram um desempenho pior que o de outubro do ano passado, quando o Estado teve saldo positivo de 1.876 vagas.
Para a economista da Fiemg, Cibele Santiago, a retração já era esperada diante do impacto da política monetária restritiva. Com a Selic a 15% ao ano, o custo do crédito e a menor disposição das empresas para investir já vinham sinalizando enfraquecimento nas contratações.
A expectativa é de um aumento temporário nas admissões no fim do ano, por causa do período de festas, mas o ritmo geral deve continuar moderado.
Agropecuária tem pior desempenho e puxa números para baixo
A agropecuária respondeu pela maior parte da retração, com 5.693 vagas a menos em outubro. Segundo Santiago, o resultado foi influenciado pela sazonalidade negativa do cultivo de alho, mais intensa em 2025, e pela nova queda no cultivo de café, que repetiu o padrão observado em 2024.
Outros setores também registraram perdas:
- Construção: -3.400 vagas
- Indústria: -712 vagas
Já comércio e serviços tiveram desempenho positivo, com saldos de 2.744 e 2.263 vagas, respectivamente. As contratações foram impulsionadas por supermercados no comércio e pelo segmento de alimentação nos serviços.
Acumulado do ano segue positivo, mas abaixo de 2024
Apesar da queda em outubro, Minas Gerais ainda registra superávit no ano, com 159.601 vagas líquidas entre janeiro e outubro. Foram 2,463 milhões de admissões e 2,303 milhões de desligamentos no período.
O setor de serviços liderou a geração de empregos, com 73,8 mil vagas, seguido por:
- Indústria: 33,4 mil
- Comércio: 18,7 mil
- Construção: 17,5 mil
- Agropecuária: 16 mil
Mesmo assim, o desempenho é 23,17% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2024, quando o saldo era de 207.746 vagas.


