A arrecadação de impostos estaduais em Minas Gerais atingiu R$ 94,9 bilhões entre janeiro e outubro deste ano, alta de 7,5% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF). O desempenho, impulsionado sobretudo pela inflação, representa R$ 6,69 bilhões a mais que os R$ 88,2 bilhões arrecadados no ano passado.
Para o economista Fernando Sette Junior (UniBH), o avanço aponta crescimento real próximo de 2,8%, após descontada a inflação acumulada de 4,7%. Ele destaca que o aumento decorre da ampliação da base tributada e da maior eficiência na cobrança, sustentado principalmente por tributos correntes como ICMS e IPVA.
Segundo Sette, a arrecadação continua fortemente concentrada no ICMS, que somou R$ 70 bilhões até outubro — uma alta de 7,89% frente a 2024, respondendo por 74,2% do total arrecadado. O IPVA também apresentou ganho real de cerca de 5%, puxado pela valorização da frota e expansão do número de veículos.
A advogada tributarista Polyany Cunha (PUC Minas) ressalta que o crescimento poderia ter sido maior, não fosse o impacto de fatores externos, como o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Ela lembra ainda que a desaceleração da inflação influencia diretamente o ritmo da arrecadação.
Arrecadação em outubro acelera e supera desempenho de 2024
Em outubro, a receita estadual cresceu 1,36% ante setembro e 9,9% na comparação anual, chegando a R$ 8,82 bilhões.
As receitas provenientes de juros foram o destaque negativo: cresceram 22,7% e atingiram R$ 763 milhões, indicador que, segundo especialistas, reflete maior inadimplência e endividamento de contribuintes. Para Sette Junior, trata-se de um crescimento “pouco saudável”, já que deriva de atrasos no pagamento de impostos e não da atividade produtiva.
O cenário para 2026, porém, é visto como incerto por Polyany Cunha, devido à taxa Selic elevada, dificuldade de crédito e insegurança gerada por um ano eleitoral. Esses fatores, segundo ela, podem afastar investimentos e limitar o desempenho econômico.


